Eles tiveram muitos votos, mas pararam nas regras eleitorais

Sistema proporcional contribui para a eleição de nanicos

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Nos três meses de eleição, os candidatos a deputado federal e estadual trabalham por uma única meta: conseguir o maior número possível de votos para ser eleitos. Mas nem sempre um bom desempenho nas urnas é sinal de sucesso eleitoral. Neste ano, somente na disputa por uma vaga na Assembleia de Minas, 45 postulantes tiveram mais votos do que o último eleito da lista, Dirceu Ribeiro (PHS). Situação parecida ocorreu na Câmara dos Deputados, quando 17 nomes foram mais lembrados pelo eleitorado do que a 53ª escolhida para a vaga, a estreante Brunny (PTC).  

O que gera essa disparidade é o atual sistema proporcional de votação, que leva em conta o quociente eleitoral dos partidos e coligações e não os votos individuais de cada candidato, auxiliando, na maior parte dos casos, a eleição de nomes de partidos nanicos.

Na Assembleia, enquanto o último eleito para a vaga, Dirceu Ribeiro, obteve 25.394 votos, o adversário Zé Maia (PSDB) conseguiu mais que o dobro de apoios (57.943 votos) e, mesmo assim, estará fora do Legislativo mineiro no ano que vem.

Entre os não eleitos, o discurso é semelhante. Eles defendem a votação imediata da reforma política, com formas de votação, segundo eles, “mais justas”. Entre as propostas apresentadas, estão o voto distrital, o voto em lista e, até mesmo, a cláusula de barreira para evitar o sucesso de partidos nanicos que tenham votações menos expressivas. Ainda não há data para a análise da questão pelo Congresso (veja infográfico acima).

“Sempre fui favorável ao voto distrital, até porque ele dividiria as várias regiões e elegeria representantes de todo o Estado. Também é importante levar em conta os votos recebidos por cada deputado. Lamento que meu partido tenha perdido tantas cadeiras, o que acabou me deixando de fora”, justifica o deputado estadual Luiz Henrique (PSDB), que tentou a reeleição, obteve 47.335 votos, mas não obteve sucesso.

FEDERAL. Quem também passou pela mesma situação foi a deputada estadual Luzia Ferreira (PPS), que, neste ano, tentou uma vaga na Câmara e, mesmo tendo recebido 54.393 votos, ficará sem mandato a partir de 2015. “Desejo desde sempre que seja votada a reforma política, talvez agora queira com mais intensidade. Esse modelo atual está falido. O ideal é o voto distrital. Faria com que as pessoas ficassem mais próximas de seus parlamentares e interessadas em acompanhar o trabalho”, opina a presidente estadual do PPS.

Três candidatos tiveram menos votos do que Luzia, mas foram eleitos. Além de Brunny (PTC), com 45.381, ainda estão o Delegado Edson Moreira (PTN), com 49.391, e Dâmina Pereira (PMN), com 52.679. Todos são de legendas nanicas.

Ajuda alheia

Dependência. Dos 513 deputados federais eleitos que vão compor a nova Câmara em 2015, só 36 receberam votos suficientes para se eleger sozinhos. Os demais precisaram do voto da coligação.

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