Medalhões selecionados

Propostas premiadas em edital destinado a bancar projetos na área audiovisual receberão um total de R$ 27 milhões

iG Minas Gerais |

Contemplado. Walter Salles foi um dos selecionados para desenvolver ao menos cinco projetos
LIONEL CIRONNEAU
Contemplado. Walter Salles foi um dos selecionados para desenvolver ao menos cinco projetos

São Paulo. A Agência Nacional do Cinema (Ancine) anunciou ontem as 28 propostas premiadas num edital destinado a bancar múltiplos projetos na área audiovisual. Ao todo, serão distribuídos R$ 27 milhões para 167 filmes e produções televisivas.

Foram contemplados cineastas como Walter Salles (“On The Road”), Cao Hamburger (“Xingu”), Hilton Lacerda (“Tatuagem”) e Luiz Bolognesi (“Uma História de Amor e Fúria”). A produtora de cada um deles receberá entre R$ 650 mil e R$ 1 milhão para que os diretores orientem e desenvolvam ao menos cinco projetos.

“São líderes experimentados que trabalharão de forma coletiva com os criadores”, explica Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine.

Ele nega que o edital tenha privilegiado medalhões. “O currículo do líder dos núcleos criativos contou na avaliação (peso de 25% da nota final da proposta). A ideia é que coloquem a experiência deles a serviço dos mais novos”.

Outros dos orientadores de projetos selecionados pelo edital são a roteirista Carolina Kotscho (“2 Filhos de Francisco”), o produtor Rodrigo Teixeira (“Alemão”), o diretor Flávio Tambellini (“Bufo & Spallanzani”) e o montador gaúcho Giba Assis Brasil (“Meu Tio Matou um Cara”).

Das 28 propostas, 17 estão concentradas em produtoras de São Paulo e do Rio. Outras 11 estão fora desse eixo, em Estados como Pernambuco, Paraíba, Bahia e Minas.

PROJETOS MADUROS. Manoel Rangel afirma que o financiamento desse edital permitirá “amadurecer melhor” os roteiros, uma das demandas de quem integra o setor audiovisual brasileiro.

“Para se manterem vivas, as produtoras têm que rodar um projeto atrás do outro e ficam sem tempo de desenvolver os roteiros”, diz Luiz Bolognesi. “Projetos imaturos acabam sendo desenvolvidos por uma necessidade econômica”, explica o cineasta.

Para Cao Hamburger, a vantagem é beneficiar múltiplos projetos, e não uma única proposta. “Foca a criação e o desenvolvimento de uma carteira deles”, diz o diretor, que não quis adiantar quais projetos irá coordenar.

Cada um dos selecionados terá até 18 meses para transformar as propostas em projetos concretos, com prazos e planejamento da execução. O financiamento da Ancine não banca a filmagem em si dos projetos selecionados.

Luiz Bolognesi atuará como mentor de filmes em andamento na produtora Gullane, de “Até que a Sorte nos Separe” e “Bicho de Sete Cabeças”.

Ele será orientador de projetos como os próximos longas de Karim Aïnouz, chamado “Favela High-Tech”, e de Fernando Coimbra, o thriller intitulado “Os Enforcados”.

“Farei o papel de advogado do diabo, apontando fragilidades, propondo soluções”, afirma Bolognesi, que também orientará a produção de roteiros para uma comédia, uma animação e duas séries destinadas à televisão.

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