Coletivo apresenta sua pesquisa em Teatro de Revista e tragédia

Grupo estuda linguagens em tentativa de aproximar teatro grego de temáticas brasileiras

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Com cerca de quatro anos, cia. promove encontro com os clássicos
Tamiris Spinelli / Divulgacao
Com cerca de quatro anos, cia. promove encontro com os clássicos

O Teatro de Revista e a tradição dos cabarés encontram textos da Tragédia Grega. A mistura pode parecer excêntrica a olhos despreparados, mas com uma visão atual dos clássicos do teatro, o coletivo Estábulo de Luxo, de Curitiba, traz Belo Horizonte seus principais trabalhos visando criar uma relação dialógica entre eles e os tempos vividos hoje. O público confere a cena curta “Hidra de Lerna”, hoje, às 20h e, na sequência, “As Tetas de Tirésias – Vamos Esbofetear Ulisses”, na Funarte.

“São trabalhos que se relacionam com a Tragédia Grega, mas revendo para nosso contexto de brasilidade. Brasilidade de Curitiba, né?”, comenta o diretor da companhia, Ricardo Nolasco. “Em Curitiba, não temos uma visão de Brasil, nessa totalidade, como em outros lugares do país”, explica.

A estética do cabaré e do Teatro de Revista fazem parte da pesquisa do grupo, que tenta estabelecer interlocuções entre várias etapas do gênero. Desde o cabaré do alemão Bertold Brecht, chegando aos cabarés clandestinos. Nessa tentativa de promover diálogo entre os clássicos e a realidade atual, o Estábulo de Luxo escolhe tratar minorias através das personagens da Tragédia Grega. Na cena “Hidra de Lerna”, a personagem central é uma drag queen que faz seu discurso para Hércules. “Nossa ideia é dar voz para quem não costuma ser escutado”, pontua o diretor.

Já o espetáculo “As Tetas de Tirésias – Vamos Esbofetear Ulisses” tenta tirar as mulheres do seu papel de Penelope no dia a dia (Penelope é a esposa de Ulisses que fica eternamente o aguardando enquanto ele percorre sua jornada heroica em outro clássico, “A Odisséia”).

“Nos inspiramos em um texto do teatro surrealista francês (“As Mamas de Tirésias”, de Guillaume Apollinaire) para discutir essa questão do papel social da mulher, que costuma ficar restrito ao serviços domésticos ou à espera de um homem”, pontua.

Com aproximadamente quatro anos de trajetória, o coletivo habita a Casa Selvática, em Curitiba, espaço que abriga artistas de diversos gêneros. “O nosso trabalho tem essa influência das artes visuais e da performance e difere um pouco do teatro mais tradicional produzido aqui em Curitiba”, relata.

Agenda O quê. “Hidra de Lerna”, seguida por “As Tetas de Tiréias – Vamos Esbofetear Ulisses”

Quando. Hoje, a partir das 20h

Onde. Funarte (rua Januária, 68, Floresta)

Quanto. Entrada franca

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