O choro irônico de um amante

Cantor e compositor estreia “Caixa de Ódio 2”, seu segundo show em homenagem aos 100 anos de Lupicínio Rodrigues

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Icônico. Arrigo Barnabé remodela canções chave de Lupicínio Rodrigues vestindo terno, em um show que reproduz o clima de cabaré
Edson Kumasaka/Divulgação
Icônico. Arrigo Barnabé remodela canções chave de Lupicínio Rodrigues vestindo terno, em um show que reproduz o clima de cabaré

Entre 1974 e 1975, o álbum mais ouvido por Arrigo Barnabé foi “Jamelão Interpreta Lupicínio Rodrigues” (1972) – um LP duplo com as maiores pérolas do maior cancioneiro das dores de cotovelo do Brasil. “Eu ficava ouvindo aquelas músicas de amor com uma interpretação muito exagerada do Jamelão e eu exagerava também cantando junto”, lembra. Mais de 40 anos após as primeiras audições, Arrigo Barnabé não só permanece ouvindo o disco de tempos em tempos, como agora dá continuidade às homenagens do centenário de Lupicínio Rodrigues (1914-1974), completados em setembro deste ano, ao estrear hoje à noite, no Teatro Bradesco, o show “Caixa de Ódio 2”.

A apresentação é uma continuação do espetáculo “Caixa de Ódio 1”, no qual Arrigo Barnabé interpretou em tom performático e particular algumas das canções mais famosas de Lupicínio Rodrigues, como “Se Acaso Você Chegasse” e “Torre de Babel”. No novo show, porém, ele explora o lado B do compositor gaúcho, incluindo as pouco conhecidas “Foi Assim” e “Boneca de Doce” – que não entraram no hall das gravações do cancioneiro feitas por Gal Costa e Maria Bethânia, principais expoentes de renome da obra de Lupicínio Rodrigues.

Com o mesmo formato do show anterior, Arrigo Barnabé sobe ao palco ao lado de Paulo Braga (piano), que integra a banda do artista desde 1978, além de Sérgio Espíndola (violão e baixolão), que também faz backing vocals e é responsável por construir novas linhas melódicas para as canções interpretadas por Arrigo Barnabé – que ganharam uma roupagem intimista com apenas dois músicos no palco. “Esse formato me permite viajar mais na música, declamar, recitar alguns trechos. Não tem uma banda sincronizada me esperando. Pode ser mais improvisado em melodias”, disse.

Se em “Caixa de Ódio 1” o público viu um Arrigo Barnabé performático, oscilando entre o teatro e a música como quem conserva os resquícios da Vanguarda Paulista, em “Caixa de Ódio 2” o artista abusa da ironia e do bom humor para cantar um repertório de 12 a 15 canções lamuriosas por natureza, em um cenário que reproduz a iluminação de cabaré e o clima boêmio que Lupicínio Rodrigues viveu entre paixões, porres e desilusões em uma ingênua Porto Alegre das décadas de 1940 e 1950.

“O humor e a ironia foram artifícios que encontrei para abordar essas dores de cotovelo descritas em letras lindas, mas de forma mais contemporânea. Afinal, eu sou um amante também como Lupicínio, apesar de estarmos separados por décadas bem distintas”, diz Barnabé.

Entre uma canção e outra do show, o artista ainda invoca o compositor italiano Nino Rota e o sambista carioca Montueto Menezes, recitando versos que dialogam com a obra de Lupicínio Rodrigues. “Eu ainda estou descobrindo o show. Decidi incluir poemas de amor que têm a ver com o sofrimento exagerado do Lupicínio, isso dá um gás mais lírico ao show carregado de drama”, completa.

Projetos. Além do espetáculo “Caixa de Ódio 2”, Arrigo Barnabé se dedica a outros projetos. Um deles, ainda sem data para ser lançado no Brasil, é uma nova versão do clássico álbum “Clara Crocodilo” (1980), que ganhou até nome novo, “Claras Crocodilos”, ao ser lançado pelo selo francês Défis, neste ano, na Europa. O detalhe curioso é que o disco foi todo gravado por uma banda formada apenas por jovens mulheres. “A baixista tem só 20 anos. Isso fez com que o disco tivesse uma roupagem totalmente diferente”, pontua. Ainda para este ano, ele também pretende lançar um EP com seis releituras do compositor Hermelino Neder, importante parceiro e compositor assíduo da Lira Paulistana.

Para novembro do ano que vem, Arrigo Barnabé ainda prepara uma nova montagem da peça “Homem Crocodilo”, que será redesenhada pelo diretor Caetano Vilela, a partir de um convide do diretor do Theatro São Pedro, em São Paulo, Luiz Fernando Malheiro.

Ingressos

Show. O cantor e compositor Arrigo Barnabé apresenta o show “Caixa de Ódio 2”, hoje, a partir das 21h. A única apresentação acontece no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada) e podem ser comprados na bilheteria do teatro.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave