Além das ‘telinhas’

iG Minas Gerais |

As redes social viraram campo de guerra. Basta um pulo para ir dos debates políticos saudáveis às discussões inconsequentes ou às críticas incoerentes. Como torcedores fanáticos, petistas, aecistas e simpatizantes de ambos os lados estão se engalfinhando. Alguns diretamente, outros – mais ardilosos –, fazendo uso de sujeitos indeterminados ou ocultos. Ou seja, só mandam recados. Quem não quer ficar no meio do fogo cruzado é friamente acusado de não ser politizado. E o “sabe-tudo” (nesse caso, vista a carapuça dessa categoria quem bem entender) disputa voto a voto nos bate-bocas virtuais. Enquanto isso, projetos concretos não são discutidos como deveriam e temas complexos enfrentados no dia a dia são menosprezados. Certo é que, como eu, muita gente está com “preguiça” das redes sociais e tenta gastar menos tempo na tela do computador, telefone ou tablet. Longe daquelas tensões em “internetês”, outras tantas nos circulam no mundo real. Estava eu, nesta semana, esperando meu filho na aula particular em uma das principais ruas do bairro Silveira, na capital. Abandonei o celular na bolsa e comecei a olhar cada detalhe daquela via. O trânsito, o comércio e as pessoas. Pensei em como frequento lugares e, muitas vezes, olho tão pouco para eles. É que a espera e as passagens são, normalmente, acompanhadas por visitas às redes sociais. Mesmo que a notícia e os debates circulem virtualmente, ainda é no front que as coisas acontecem... e como acontecem. Foi quando vi o menino. Cerca de 10 anos. Mal conseguia falar seu nome. Só chorava. Enquanto várias pessoas se juntavam ao redor dele, observei o homem de calça preta que corria rumo à avenida Cristiano Machado. Num instante sumiu do meu alcance visual. Acabava de roubar a mochila e o celular do garoto. Ele aguardava a mãe na portaria de um prédio e, agora, estava ali, totalmente fragilizado. Em prantos após ter sido ameaçado com uma arma. Conhecia a violência antes só vista, talvez, pela tela da televisão. A mulher chegou, abraçou o filho. Os olhos dela se encheram de lágrimas. Colocou o menino no carro. Antes me disse que não faria ocorrência policial do assalto. Tentei convencê-la do contrário, mas não quis conversa: “De que adianta? Quando vai chegar a viatura? Acredita que vão prender esse ladrão?” Bateu a porta do carro e foi embora. Eu segui na minha espera caminhando pela avenida, e, para minha surpresa, metros depois uma viatura da polícia estacionava. Militares iam fazer a ocorrência de outro assalto. Desta vez, numa loja de produtos para festas. A vítima, agora, era uma senhora. A vendedora da loja ao lado nem sabia dizer de quantos assaltos a rua tinha sido palco no último mês. Segundo ela, dá medo até de sair de casa. E dá mesmo. A sensação é de muita insegurança. O povo tem medo. E não é só da criminalidade. O povo está carente. Saúde precária, transporte público também. Educação, então, nem se fala. É tanta mazela que dá vontade de voltar para as redes sociais. Voltar, pelo menos, para perguntar aos torcedores fanáticos das atuais organizadas de plantão onde o país vai parar. Acirrar o debate para saber quem dá mais pela população brasileira. As propostas estão aí, muitas delas são até semelhantes, embora venham de partidos tão antagônico. A questão é que lá ou cá temos poucas e vagas respostas sobre como será o amanhã. 

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