Na TV, Mantega defende emprego em alta e Fraga ataca baixo crescimento

Com discursos muito semelhantes aos das campanhas do PT e do PSDB, eles contestaram análises um do outro

iG Minas Gerais | RICARDO CORRÊA |

Com estilos amenos característicos de suas personalidades, não se pode dizer que o encontro do ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff, Guido Mantega, e do indicado para o cargo em um eventual governo Aécio Neves, Armínio Fraga, tenha sido quente. No entanto, eles divergiram frontalmente sobre o ritmo e os rumos da economia brasileira em conversa com a jornalista Mirian Leitão.

Com discursos muito semelhantes aos das campanhas do PT e do PSDB, eles contestaram análises um do outro. Mantega defendeu a saúde da economia brasileira, alegando que, ao contrário de outros países, o país manteve o consumo interno em alta, garantindo que o nível de emprego também permanecesse em índices safisfatórios. Enquanto isso, Armínio Fraga atacou o baixo crescimento do país e questionou os métodos utilizados na contabilidade fiscal do país.

"Hoje tem pedalada com dinheiro da Previdência, pedalada no BNDES", realçou Armínio, em referência a estratégias do governo para simular um equilíbrio fiscal diante de um quadro negativo.

"Armínio praticava taxas de juros elevadíssimos. Antes o cidadão pagava 80% de taxa de juros ao comprar uma geladeira. Hoje, paga 40%", comparou Mantega, completando: "Nós, com a nossa política econômica, reduzimos a dívida. Eles (do governo Fernando Henrique) aumentaram".

"Hoje temos um resultado primário de zero e um custo da dívida elevado", reagiu Fraga. Enquanto Mantega insistiu que o país sofre ainda os efeitos da crise internacional, enquanto Armínio afirmou que o mundo já voltou a acelerar enquanto o país continua com índices muito baixos.

"Nós todos vivemos uma crise forte do capitalismo internacional. Afeta todos os países. E afetou menos o Brasil. O trabalhador brasileiro não percebeu a crise. Tivemos um crescimento menor, mas chegamos ao final da crise, se é que ela está terminando, com a economia muito mais sólida. Isso permite olhar para um novo ciclo que virá em breve e dizer que estamos preparados para ela", disse Mantega, defendendo que, agora, o governo amplie os investimentos, citando infraestrutura, mobilidade e educação.

"Não é mais que a obrigação do governo procurar fazer as coisas melhor que o outro. Mas nós estamos com um modelo que não está fazendo o que deve ser feito. As coisas não estão acontecendo. Com todo esse subsídio e esforço o Brasil está investindo muito pouco. A herança é formada de restos a pagar, pedaladas, contabilidade criativa. Há uma desconfiança no Brasil e isso precisa acabar. Nossa proposta é arrumar a casa de uma maneira virtuosa", rebateu Armínio Fraga, defendendo a reforma tributária e a prometendo um crescimento "não de 1%, mas de 4%".

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