De bolsas Dior a pinturas

Decidir o que deixar para a família foi um ato de equilíbrio delicado

iG Minas Gerais | Carol Vogel |

Duas obras de Madeline Hewes adornam as paredes de carvalho pintadas, na entrada da fazenda Oak Spring
Darren Higgins/The New York Times
Duas obras de Madeline Hewes adornam as paredes de carvalho pintadas, na entrada da fazenda Oak Spring
Em seu prédio, a Sotheby's planeja exibir uma cúpula octogonal de 1880 que Rachel nunca instalou (preço: US$ 3.000 a US$ 5.000); bolsas Christian Dior com colchetes de ouro e lápis-lázuli, criadas para ela pelo joalheiro francês Jean Schlumberger; há baixelas de porcelana antiga e copos para servir centenas de pessoas.   E depois há obras de arte: mais de 400 pinturas e desenhos, incluindo Picassos, Seurats, Hoppers e Homers.   Antes dos leilões, colecionadores proeminentes tentaram comprar as melhores pinturas em particular. Várias telas foram silenciosamente vendidas, incluindo duas do Rothko e uma de Diebenkorn, disse Alexander D. Forger, seu amigo e advogado.   “Achei prudente aproveitar a oferta”, ele disse. “Temos impostos a pagar em dezembro”. Ele se recusou a nomear os compradores ou os preços, que negociantes dizem totalizar cerca de US$ 300 milhões.   Casas de leilão também disputavam a venda dos bens. Sotheby's e Christie's prepararam apresentações elaboradas com catálogos de simulação, projetos de galerias para exibição e planos de marketing em todo o mundo.   Desde o início, a Sotheby's era a favorita. “Tanto a Sotheby's quanto a Christie's ofereceram o mesmo acordo financeiro”, disse Forger. Ele tinha sido executor de uma grande confidente de Rachel, Jacqueline Onassis, e escolheu a Sotheby's.   Acervo Espaço não era um problema em Oak Spring, fazenda de gado leiteiro. Havia o chalé de pedra onde os Mellons viveram, estábulos para puros-sangues premiados, uma casa de piscina projetada por I.M. Pei e a Brick House, mansão de estilo georgiano. A própria Oak Spring foi posta à venda em agosto por US$ 70 milhões.   O que poderia ter sobrado? “Cada livro teve de ser sacudido para nos certificarmos de que não havia um desenho ou uma carta de amor dentro” disse Whitmire. Em um esforço para levantar o máximo de dinheiro possível para a Fundação Mellon, o executor decidiu colocar a propriedade a leilão. Decidir o que deixar para a família – o filho de Mellon, Stacy B. Lloyd III e seus dois filhos, bem como os dois enteados, Catherine Conover e Timothy Mellon – foi um ato de equilíbrio delicado.   Entre outras, os membros da família selecionaram uma pintura de Pissarro que estava no quarto dela, um dos chapéus de jardinagem Givenchy, a mobília que ela projetou e uma moldura da Schlumberger com fotos de família.   Enquanto Whitmire e outros zanzavam pelos edifícios, foram feitas algumas descobertas: um conjunto das famosas caixas de Joseph Cornell em um armário de banheiro; uma aquarela de Magritte foi encontrada em um quarto raramente usado. “Quando tudo acabar, ainda vou estar com medo de ter deixado algo para trás”, disse Whitmire.    The New York Times

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