Seleção embrionária permite identificar e evitar doenças

Medicina reprodutiva já dispõe de alternativas para evitar que os herdeiros sofram com doenças como fibrose cística, adenoleucodistrofia, distrofia muscular, além de outras

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

ELCIO PARAISO - 18. 2.2006
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O que fazer quando o casal sonha com filhos, mas teme que, em função de um histórico familiar, doenças genéticas sejam transmitidas para o bebê? Hoje, a medicina reprodutiva já dispõe de alternativas para evitar que os herdeiros sofram com doenças como fibrose cística, adenoleucodistrofia, distrofia muscular de Duchenne, hemofilia e até anomalias genéticas que podem causar câncer – como é o caso do gene BRCA1, cuja versão alterada pode causar câncer de mama ou de ovário.

A técnica para prevenir esses problemas é o PGD – Diagnóstico Genético Pré-implantação. O procedimento permite a identificação genética dessas doenças ainda no estágio de embrião - antes mesmo de sua implantação no útero materno. De acordo com o especialista em reprodução assistida e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Selmo Geber, o rastreamento é feito a partir da retirada de uma célula do embrião no terceiro dia após a Fertilização in Vitro – FIV. 

“O procedimento consiste em realizar uma biópsia e detectar, por métodos de análise genética, a presença ou ausência dos genes da doença. Em seguida, os embriões não afetados são transferidos para o útero da mãe”, diz.

O médico mineiro – que fez parte do grupo de pesquisa que desenvolveu a técnica, em 1991, na Inglaterra –, explica além de evitar as doenças genéticas, o PGD também pode ser aplicado para beneficiar mulheres que sofrem com abortos de repetição, assim como aquelas em idade acima dos 35 anos, as quais, naturalmente, têm a fertilidade reduzida.

Segundo ele, diversos casos de perdas consecutivas de gestação podem ser explicados por uma alteração genética em um dos progenitores, que pode ser transmitida para o embrião. Assim, o próprio útero cuida de impedir a evolução do feto.

“Com a técnica de PGD, esses embriões que carregam a alteração genética podem ser identificados. Com isso, somente aqueles livres da alteração são transferidos para o útero, aumentando consideravelmente a chance de que a gestação evolua normalmente”, relata.

O exame também traz vantagens para as mulheres acima dos 35 anos, pois a técnica pode diagnosticar problemas decorrentes do envelhecimento do óvulo, como a síndrome de down, além de aumentar a taxa de gravidez em função da implantação de embriões sem alterações cromossômicas. “O diagnóstico de genético de pré-implantação é um importante aliado para garantir uma gestação mais segura e o desenvolvimento saudável da criança”, afirma Geber.

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