Em hora sofrida, Minas frustra o sonho

iG Minas Gerais |

Na semana passada, em artigo publicado neste espaço, cometi a ousadia de advertir Minas para não falhar com Aécio Neves, como fizeram, em 1960, com Milton Campos. Empurrado por insuportável intuição, cheguei ao dia das eleições quase desesperado com esse pensamento que me tilintava a cabeça na forma de premonição. Enquanto isso, punha em dúvida, injusto com São Paulo, bem perto da certeza, que não contaríamos, como se supunha, com a lealdade do maior colégio eleitoral do Brasil, que levaria, solidário e para o bem do país, o ex-governador mineiro à Presidência da República, não pela ideologia do outro lado, mas pela força da razão, incentivada pelo pensamento nietzschiano. Ah, dir-se-ia, a ferrenha adversária também é mineira. Contudo, o argumento seria mais um descarado engodo, cujo ofício constitui manipulação quase privativa do PT. Sabe por quê, leitor? Trata-se de simples diferenciação para as pessoas de um mínimo de compreensão: quem apenas nasce em Minas nem por isso, por mera localização do leito do nascimento, se torna mineiro, legatário, pois, da característica mais identificadora das nossas almas, encarnada no espírito de mineiridade, que antecede, inclusive, o da própria brasilidade. Contudo, é de reconhecer que, pelo verso do poeta – “Minas não há mais” –, intoxicados temos sido por cinzas de crenças mortas, jogadas a mancheias nos grotões infelizes da pobreza para gerar votos de maldição. E que mal fazem à nação, que precisa ter consciência de si mesma. Desde JK, estamos ausentes da chefia do poder central. Há quase seis dezenas de anos, Minas permanece afastada das decisões. É um preço político muito alto para o país que, nas horas incertas, tanto contou com a sabedoria mineira. A história não se escreve no condicional, ensinam os doutos. Contudo, nada custa inquirir: o que teria sido da Revolução de 30 não fossem a coragem e a sedutora capacidade de costurar compromissos, firmar acordos, estabelecer combinações, negociar com arte, conciliar com esmero mesmo quando, apesar da hostilidade dos impactos políticos violentos, os mineiros seguiam em frente, às vezes exaustos da violência da peleja, sem contudo jamais desistir ou fraquejar nos seus intentos? Terá essa Minas acabado? Ou começa a renascer? O presidente Geisel, convencido de que não mais se podia adiar a hora de entregar o povo ao governo civil, tentou conduzir a jornada com um homem público destas Gerais. Fez o governador Aureliano Chaves vice do presidente Figueiredo com esse propósito. Todavia, as intrigas da Corte, a resistência dos radicais e a desenvoltura de grupos fascistas enquistados nos porões conspiratórios e de informações inviabilizaram a caminhada. Mesmo assim, salvou-se a tentativa de democratização do país com outro mineiro que, do seu leito de morte e depois dela, tornou-a realidade. Desta vez, não fosse o recuo de Minas, Aécio já poderia estar eleito, acabando com 12 anos das trevas medonhas do lulopetismo. Redime, Minas. Aécio vai ganhar. Melhor ganhar com quem tem passado.

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