Que os sinos de São João del Rei anunciem um novo tempo

iG Minas Gerais |

DUKE
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Antes de abordar a provável vitória de Aécio Neves, no próximo dia 26, desejo me referir à eleição em Minas e, em especial, à candidatura de João Pimenta da Veiga Filho. A expressiva votação que conquistou contrariou todas as pesquisas. Estas, ao exibirem resultados distantes da realidade, mobilizavam a campanha do adversário e desmobilizavam a de Pimenta. Uma canalhice. Segundo O TEMPO de anteontem, Pimentel foi eleito com 5.362.860 votos. Pimenta obteve 4.540.706 votos, graças à sua dedicação e determinação pessoal. Com mais dois dias de campanha, teria, sim, chegado ao segundo turno. Essa estratégia de “desconstruir candidaturas” – uma sacanagem inventada pelos soberbos marqueteiros de plantão – levou os adversários não só a tecerem comentários injustos ou avaliações apressadas, mas a dizerem mentiras sobre o candidato tucano. O nome de Pimenta estaria, sem dúvida, na cabeceira de qualquer lista que se fizesse (ou ainda se fizer) dentro do PSDB para disputar o governo do Estado. Foi quatro vezes deputado federal, prefeito de Belo Horizonte e ministro das Comunicações no governo de FHC. Nunca deixou Minas nem se afastou de Belo Horizonte. É um mineiro de quatro costados, nascido e criado em Belo Horizonte, filho de pais mineiros, que se iniciou na vida pública aos 31 anos. Foi do MDB, do PMDB e, depois, fundador do PSDB, demonstrando, com isso, a indispensável coerência partidária. O povo mineiro deixou de eleger, para o governo do Estado, um homem de bem. Que não transige quando o que está em jogo é a coisa pública. Que nunca abandonou o exercício da política. Por motivos pessoais (um deles foi a enfermidade e o falecimento, aos 31 anos, do filho mais velho), apenas se ausentou da disputa de cargos eletivos. As manifestações de junho de 2013, defendendo mudanças no país, aumentaram sua fé na democracia. Sentiu-se no dever de dar a sua contribuição pessoal. Sempre com honestidade – o seu maior capital. Aécio Neves – quando poucos, até mesmo entre seus companheiros, acreditavam em sua candidatura – enfrentou a batalha e virou o jogo. Que os velhos e belos sinos de São João del Rei (terra do seu avô materno Tancredo Neves), no próximo dia 26, dobrem, enfim, anunciando um novo tempo para o país, de justiça e paz. Os mineiros terão, agora, no segundo turno, condições de dar ao Brasil inestimável contribuição, subtraindo de uma simples intrusa os votos que então conquistou. A presidente Dilma, uma mineira que renegou seu torrão natal, que nem sequer vota aqui, receberá dos mineiros uma boa, oportuna e inesquecível lição. Será com a sua derrota que se encerrará um ciclo pernicioso ao país, “de índole malandra e fascista”, como afirmou ontem o antropólogo mineiro Roberto DaMatta. “O Brasil, amigos, é muito maior que nós. É um palco que não escolhemos para atuar e viver”, asseverou ainda DaMatta. E Aécio Neves, digo eu, inspirado nos maiores valores de Minas, será, esperamos todos, o ator de que necessitamos, capaz de cumprir um script à altura dos brasileiros, inovando-o e se tornando um grande ator. Que, eleito presidente, Aécio continue a trajetória iniciada por Tancredo em prol da consolidação do regime democrático – o único capaz de desenvolver este país com liberdade e justiça social. Estarei, no meu canto, torcendo para que seu governo não se esqueça dos que mais necessitam dele – os despossuídos, que são milhões! “Sursum corda!”

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