Apoio de Marina é minimizado

Cúpula tucana avalia que adesão da ex-senadora é importante apenas para acelerar migração de votos

iG Minas Gerais |

Eleitores. PSDB avalia que quem votou em Marina vai acabar escolhendo Aécio no segundo turno
josé Cruz/ABr - 28.4.2013
Eleitores. PSDB avalia que quem votou em Marina vai acabar escolhendo Aécio no segundo turno

Brasília. O apoio formal da candidata derrotada à Presidência Marina Silva (PSB) ao presidenciável Aécio Neves (PSDB) é avaliado pela cúpula tucana como importante, mas não como fundamental para levá-lo à vitória no segundo turno. A avaliação é a de que a ajuda de Marina serviria como catalisadora do processo de transferência de votos ao tucano. Marina prometeu anunciar hoje sua posição para este segundo turno eleitoral.

O mais importante, agora, de acordo com estrategistas de Aécio, é identificar quem é o eleitor de Marina e tentar seduzi-lo, independentemente do posicionamento da ex-ministra. Acreditam que, se for um eleitor que busca a mudança – como eles avaliam ser –, até a eleição ele já terá optado por escolher o concorrente do PSDB.

A equipe do tucano considera que quem votou em Aécio no primeiro turno tem posição consolidada ao menos até o dia 26 de outubro e avaliam que o voto em Dilma Rousseff (PT) já seja uma opção perdida para esse eleitor.

Caso Marina se mantenha neutra, como na eleição presidencial de 2010, acredita-se que os votos dela passarão um tempo no “limbo” da indecisão e, depois, “naturalmente”, boa parte optará pela mudança do governo, segundo interlocutores de Aécio.

Pernambuco, onde Aécio recebeu menos de 10% dos votos e Marina saiu vitoriosa, é o Estado-chave para o tucano minimizar a diferença de Dilma sobre ele no Nordeste. Mas a cúpula da campanha calcula que a votação expressiva da socialista se deu, especialmente, por influência do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em agosto durante acidente de avião.

Portanto, mesmo se Marina não estiver ao lado de Aécio, o apoio já sinalizado por parte da família de Campos (da ex-mulher, Renata, dos filhos e do irmão Antônio Campos) e do governador eleito pelo PSB, Paulo Câmara, devem ser suficientes para melhorar o desempenho do tucano em Pernambuco.

Reeleição. Apesar de o apoio da socialista ser dado praticamente como certo, um ponto crucial pode “melar” a aliança para o segundo turno: o fim da reeleição, defendido por Marina.

A ex-ministra já colocou a defesa do mandato único como condição para apoiar Aécio. Nesta quarta, ele voltou a afirmar que não pretende defender o fim da reeleição durante a campanha para o segundo turno. “Essa questão é secundária hoje”, afirmou. Segundo ele, o tema passa por um pacto com governadores eleitos nestas eleições, que precisam concordar em não disputar um segundo mandato em 2018. “Não é um ato de vontade unilateral que vai permitir que a tese que nós defendemos vai ser implementada”.

Mandato único

Acordo. O programa de governo de Aécio Neves contempla o fim da reeleição, como quer o grupo de Marina Silva (PSB). Há, no entanto, um impasse: na proposta de Aécio, as mudanças só valeriam a partir de 2022.

Escrito. O documento diz que “as propostas de alterações devem ser planejadas para que comecem a valer a partir da eleição de 2018 e se consolidem em 2022”.

Condição. Para apoiar o tucano no segundo turno, Marina quer de Aécio uma garantia de que as novas regras valeriam já para a próxima eleição.

Postura. Quando disputou o primeiro turno, Marina firmou compromisso de que abriria mão de disputar a reeleição em 2018.

Confiante

Ataque. O tucano alfinetou o governo de sua adversária, Dilma Rousseff (PT), e disse que seu otimismo "só não é maior" do que a “determinação de pôr fim ao ciclo do atual governo”.

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