PT e PSDB diante dos desafios da política industrial

Economistas dos dois partidos apresentam diferentes modelos para recuperar a produção nacional, divergências se estendem também sobre políticas para o Mercosul

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Montagem em fotos de Felipe Dana/AP e Alex de Jesus/O Tempo
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A estratégia para resgatar a indústria brasileira é um ponto de divergência entre os dois candidatos à Presidência neste 2.º turno, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Receptora de estímulos bilionários ao longo dos últimos anos, a indústria sintetiza o debate entre a política de estímulos setoriais e a escolha de “campeões nacionais” do atual governo e as políticas horizontais aplicadas na administração tucana.

"Temos certeza de que o que está aí não funciona", afirmou o economista Arminio Fraga, já escolhido como ministro da Fazenda de um eventual governo Aécio. Isso não quer dizer, porém, que a estrutura construída pela presidente Dilma Rousseff será desmontada de uma vez.

"Para desentubar o paciente, temos de estar num ambiente mais favorável", explicou, reconhecendo ser um "pesadelo" dos industriais quando o governo promete as reformas, não as cumpre e, ao mesmo tempo, tira os estímulos. A opção, diz, é por ações em paralelo: aos poucos, melhorar o ambiente e desmontar as proteções.

Para o coordenador do programa de governo de Dilma, Alessandro Teixeira, as políticas foram bem-sucedidas. "Nossa posição é sempre de defesa e fomento à indústria brasileira", afirmou. E marcou um contraponto com o governo tucano. "Vários formuladores de políticas públicas do PSDB arguiam que a melhor política industrial era não ter política." Ele atribui o mau desempenho da indústria à crise internacional.

Se houver um segundo mandato de Dilma, a receita será mantida. "O foco para os próximos anos será a manutenção e ampliação dos programas existentes e um amplo esforço para aumentar a produtividade da economia brasileira", avisou.

Para tanto, serão adotados três eixos principais: aumento da taxa de investimento, melhoria na qualidade da educação e ampliação dos ganhos de escala. Um programa que continuará forte segundo Teixeira, é o que exige conteúdo nacional nos grandes empreendimentos do governo.

O programa tucano, porém, propõe "racionalizar" esses requisitos pois eles podem elevar custos e constituem uma forma "ineficiente" de subsidiar uma atividade. "Eles são contra o conteúdo nacional", atacou Teixeira. "Nós, não."

No programa de governo do PSDB, o desmonte dos estímulos setoriais terá de ser feito aos poucos porque os ajustes macroeconômicos também ocorrerão com cautela. Arminio Fraga prevê um prazo de dois a três anos para produzir um superávit primário suficiente para estabilizar a dívida. E um prazo semelhante para recolocar a inflação no centro da meta. A volta do velho tripé é o principal ingrediente da estratégia para recuperar a indústria.

Mercosul - Outro item básico da estratégia tucana é o comércio exterior. Aécio já deixou claro que pode rever as normas de funcionamento do Mercosul. Isso significa, por exemplo, deixar de lado a regra que obriga o Brasil a negociar acordos comerciais como bloco econômico. O objetivo, disse Arminio, é se "reconectar" com os mercados mais avançados: Estados Unidos, Europa e China.

"Não acho que ninguém queira jogar a toalha", disse. "Pelo contrário: a ideia é investir no Mercosul, mas com um rumo diferente do atual." O economista afirmou que o Mercosul precisa colaborar com os objetivos de maior integração comercial - ou algo terá de mudar.

Há várias alternativas em estudo. A mais ventilada, a de abandonar o status do Mercosul de união aduaneira e migrar para uma zona de livre comércio, é uma delas.

"Seria um erro estratégico", rebate Teixeira. "Os maiores mercados das exportações de produtos industrializados e manufaturados do Brasil são justamente os países da América do Sul e, além disso, tanto Estados Unidos quanto os países da Europa possuem restrições à importação de produtos agrícolas", sustenta o coordenador do programa petista.

Outra aposta tucana para aumentar a competitividade da economia brasileira é a reforma tributária. E, aí, a proposta é ousada: fundir o principal tributo estadual, o ICMS, com tributos federais como o IPI, o PIS-Cofins e outros incidentes sobre a renda e o faturamento.

Menos complicada e de efeito mais imediato é a promessa de simplificar o sistema de apuração de créditos tributários - instituindo o sistema financeiro, em vez do físico, que só existe no Brasil e no Haiti - e facilitar seu uso para quitar qualquer tributo federal.

Dilma também quer adotar o sistema financeiro para o PIS-Cofins. Mas, aí, ambos esbarram no mesmo problema: o caixa. Só será possível fazer essa mudança à medida que houver espaço nas contas públicas. 

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