Bancos omitiram autores de depósitos para doleiro Youssef

Empresa de fachada recebeu mais de R$ 26 milhões

iG Minas Gerais |

Preso. Youssef fez acordo de delação premiada para falar o que sabe sobre o escândalo da Petrobras
JOEDSON ALVES/AE - 18.10.2005
Preso. Youssef fez acordo de delação premiada para falar o que sabe sobre o escândalo da Petrobras

São Paulo. Dois bancos omitiram a identidade dos autores de depósitos que somam R$ 26,4 milhões em contas de uma empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef, segundo análise da força-tarefa do Ministério Público Federal que atua na operação Lava Jato. Os bancos são o Safra e o HSBC. A empresa do doleiro é a GFD Investimentos, que recebeu depósitos de R$ 76 milhões num período de cinco anos – entre janeiro de 2009 e dezembro de 2013, de acordo com a análise.  

Os R$ 26,4 milhões, cuja origem é desconhecida, equivalem a um terço do total recebido por essa empresa de Youssef. A identificação do depositante (acima de R$ 10 mil) faz parte das regras do Banco Central de combate à lavagem de dinheiro. Há uma razão simples para isso: sem saber quem fez o depósito torna-se impossível saber se o dinheiro tinha origem lícita.

“A omissão dos dados das origens dos recursos (...) transgride os regulamentos do Banco Central”, escreveram os analistas no documento da Procuradoria. A falta de identidade dos depositantes tem dois efeitos que prejudicam a apuração de crimes financeiros: preserva o nome de quem fazia negócios suspeitos com o doleiro e dificulta a análise dos fluxos de recursos.

PROPINA. Os procuradores do caso dizem em ações penais que já tramitam na Justiça que os recursos que ingressavam nas empresas de fachada do doleiro eram destinados a pagamento de propina. Dois réus e uma testemunha da operação Lava Jato que decidiram colaborar com a Justiça confirmaram esse uso.

A GFD era usada pelo doleiro para negócios aparentemente legais, como a rede Web Hotéis, e ilícitos, como a simulação de prestação de serviços, ainda de acordo com os procuradores.

PETROBRAS. A maioria das empresas que fizeram pagamentos à GFD Investimentos é de fornecedores da Petrobras, como Sanko Sider, Mendes Junior, Paranasa e Clyde Union. Os maiores depósitos entre os fornecedores da Petrobras foram feitos pelo grupo Sanko (R$ 6 milhões) e Mendes Junior (R$ 5,6 milhões quando se somam os depósitos da empreiteira e de um consórcio liderado pela empresa, do qual faz parte a MPE).

Segundo a Polícia Federal, a Sanko teve papel central no esquema criado pelo doleiro e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para distribuir suborno a políticos. A fonte da propina eram contratos superfaturados de obras da estatal, como a da refinaria Abreu e Lima, diz a PF.

Saiba mais Relembre. Preso desde março na Polícia Federal em Curitiba, Alberto Youssef decidiu fazer um acordo de delação premiada para tentar conseguir uma pena menor. Ele é acusado de liderar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. Apontado como parceiro do doleiro, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa também fez um acordo de delação premiada e agora está em prisão domiciliar, no Rio.

Petrobras e CPI pedem de novo acesso à delação de ex-diretor São Paulo. A Petrobras entrou com novo pedido para ter acesso ao conteúdo da delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de refino e abastecimento da estatal. O pedido foi apresentado na última semana e ainda não foi apreciado pelo juiz responsável pelas ações ligadas à operação Lava Jato. O novo pedido veio a público nesta terça, um dia antes da audiência em que Paulo Roberto Costa deverá dar detalhes referentes às denúncias de corrupção na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, de onde teria partido a maior parcela dos desvios de recursos de empresas fornecedoras da estatal. Na última segunda-feira, o presidente da CPI mista da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), também pediu novamente ao Superior Tribunal Federal (STF) acesso à íntegra da delação premiada feita pelo ex-diretor da estatal.

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