Recall em 9 meses mais do que dobrou em relação a 2013

Número de veículos que deve sofrer algum tipo de reparo no país chega a mais de 911 mil neste ano

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Defeito. Exemplo de recall realizado no último mês de setembro, Ford chamou proprietários do novo Ka por falhas na ignição e na porta
FORD /DIVULGAÇÃO
Defeito. Exemplo de recall realizado no último mês de setembro, Ford chamou proprietários do novo Ka por falhas na ignição e na porta

O número de veículos que precisa passar por recall mais do que dobrou no Brasil comparando-se janeiro a setembro de 2013 com o mesmo período deste ano. Em 2014, 911.381 veículos devem sofrer algum tipo de reparo, segundo seus fabricantes. Em 2013, foram 676.037 veículos no total e 449.433 entre janeiro e setembro. O número de chamadas em 2013 foi 73 e este ano, já chegou a 60. As informações são nacionais e divulgadas pela Fundação de Proteção ao Consumidor de São Paulo (Procon-SP).

Outra informação preocupante é que muitos desses veículos não estão sendo efetivamente consertados. Segundo a Fundação Procon-SP, desde 2002, quando os dados começaram a ser consolidados, apenas cerca de 50% dos veículos passaram pelo recall. “Temos que trabalhar a educação do consumidor, porque a divulgação é feita, conforme está definido no Código de Defesa do Consumidor, mas o cliente não se atenta para isso e acaba correndo um sério risco de segurança”, afirma Andrea Arantes, assessora executiva da Fundação Procon-SP. Para o coordenador do Procon Assembleia BH, Marcelo Barbosa, o aumento constante de números de veículos que precisam de um recall é um sinal de alerta. “Isso reflete a queda da qualidade do produto que está sendo fabricado. Com a massificação da produção, os padrões de qualidade, que garantem a segurança do consumidor estão deixando de ser seguidos”, aponta Barbosa. Já Andrea Arantes diz que o aumento de recalls, que é constante “há cerca de uma década”, pode ser analisado por duas vertentes. “Isso significa que a norma está sendo cumprida. Os fabricantes de veículos têm a obrigação, de acordo com o CDC, de chamar o recall em caso de defeito. E esse procedimento está sendo seguido” afirma. Por outro lado, a assessora lembra que falhas são um perigo para o consumidor. “Esse aumento demonstra que existe uma falha constante na produção e que os processos não estão sendo eficientes. O ideal é que não haja produtos defeituosos no mercado”, pondera Andréa. “O mecanismo do recall não pode ser utilizado como desculpa sempre. Essa é a minha preocupação. Não é que o fabricante faz o recall e está tudo bem, porque não está. É necessário que a indústria se preocupe em lançar um produto perfeito no mercado”, concorda o coordenador do Procon Assembleia. Em caso de problema com o carro, mesmo que o recall tenha sido divulgado, o fabricante continua obrigado a indenizar o cliente. “A responsabilidade continua sendo 100% do fabricante. O recall não afeta a obrigação de indenizar o consumidor”, explica Andrea Arantes. “Vale lembrar que o recall não tem prazo para acabar e a qualquer momento o consumidor pode procurar o fabricante para fazer o conserto, diz Marcelo Barbosa. Para Andrea Arantes, em caso de problemas no veículo o consumidor deve procurar primeiro a empresa. “Sempre aconselhamos buscar primeiro o fabricante porque acreditamos que sempre é possível chegar a um acordo ou conciliação. Se o consumidor, no entanto, não conseguir ter seus direitos garantidos, ele pode acionar a Justiça para pleitear danos materiais e morais”, explica Andrea.

Último Mais um. A Mercedes-Benz convocou ontem recall dos modelos C180, C200 e C250 fabricados entre dezembro de 2013 e setembro deste ano. O problema é na trava da coluna de direção.

Portaria é descumprida Uma portaria conjunta do Ministério da Justiça e Denatran determina que um recall não atendido por um ano deve passar a constar no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo. Porém, isso não é cumprido em Minas Gerais. Segundo o Detran-MG, isso não acontece porque o Denatran não envia os dados de maneira correta para serem inseridos no documento.

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