Sensor identifica queimadas

Projeto da UFMG prevê que bombeiros sejam alertados sobre focos de fogo perto da rede elétrica

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

Tecnologia. Caixas nas cores amarela e vermelha indicam onde há focos de incêndio nas matas
Adriano Lisboa/Divulgacao
Tecnologia. Caixas nas cores amarela e vermelha indicam onde há focos de incêndio nas matas

Disponibilizar, online e em tempo real, imagens de fumaça e focos de incêndio em áreas de preservação ambiental que tenham linhas de transmissão de energia, para possibilitar o combate rápido das chamas. Essa é a proposta de nova tecnologia desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig) e duas empresas – AXXIOM e Enacom. A intenção do projeto – desenvolvido desde junho de 2012 e atualmente em fase de testes – é desenvolver sensores para instalar nas linhas de transmissão de energia da Cemig. Dois deles já estão instalados no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), por meio de câmeras de vídeo. A ideia é financiada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).  

Durante um dos testes, no último domingo (5), um incêndio que aconteceu dentro do campus da universidade foi captado pelos sensores. “Do prédio do BH-TEC não dava para ver o incêndio, que aconteceu perto da Escola de Veterinária, mas o sistema deu o alarme”, contou o diretor executivo da Enacom, Douglas Vieira. De acordo com ele, o grupo do projeto ligou para os bombeiros, que já tinham sido avisados sobre o problema por moradores.

Integrante do projeto, o professor do departamento de engenharia eletrônica da UFMG Hani Camille pondera que é importante instalar os sensores em locais remotos e não povoado, já que não há quem possa avisar às autoridades sobre uma ocorrência de queimada. “Imagine se esse foco de incêndio tivesse ocorrido em um local de preservação ambiental não povoado”, especula o professor.

Funcionamento. O projeto prevê a implementação dos sensores por meio de câmeras. De acordo com Camille, um programa de computador foi desenvolvido para procurar, nas imagens de incêndios, padrões que determinam se há fogo ou fumaça. Para que seja constatada a ocorrência de incêndio, os padrões cor, movimento e persistência precisam ser simultâneos.

Primeiro, é detectada a cor. Como, de acordo com o professor, o vermelho do fogo pode também ser de um farol de um veículo ou mesmo do sol, é verificado a persistência. Ele explica que o fogo tem um movimento mais ou menos aleatório, o que é diferente do farol do carro ou mesmo do movimento do sol. Por último, o computador confere a persistência das chamas. “O fogo some e aparece mais ou menos no mesmo lugar”, explica o especialista.

Participação. No projeto, está previsto que as imagens das chamas ou da fumaça serão disponibilizadas online no site da Cemig. Assim, qualquer pessoa poderá acessar a página e “validar” o foco de incêndio. “Quando um internauta entrar na página, verificar que se trata de um incêndio e validar a imagem. a tecnologia dispara um alarme”, explica o professor.

Camille acredita que a questão ambiental é uma preocupação de todos e que o site atrairia a atenção de muitos internautas. “Nunca vi tantos focos de incêndios perto das casas como agora. Se tivermos mil câmeras, o monitoramento será feito a partir do acesso às imagens pela internet”, pondera.

Ele e o diretor da Enacom ainda não sabem quantos sensores vão ser instalados. O projeto final será entregue à Cemig em dezembro.

Saiba mais

Preservadas. Nos primeiros oito meses deste ano, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), foram devastados mais de 6.000 hectares de matas preservadas.

Comparação. Houve registro de 369 ocorrências em áreas de mata preservadas controladas pelo Estado de janeiro a agosto de 2014. O número supera a média histórica dos focos de incêndio registrados nas áreas entre 2009 a 2013.

Cemig. A companhia espera que a nova tecnologia colabore para a redução das interrupções da transmissão de energia ocasionada por incêndios.

Expansão

Anel. No próximo mês, serão instalados dois sensores na subestação Bonsucesso da Cemig, perto de uma mata às margens do Anel Rodoviário, na altura do bairro Olhos D’Água, no Barreiro.

Prevenção Capital. A Fundação Zoo-Botânica (FZB) de Belo Horizonte informou nesta terça que vai criar uma Brigada de Incêndio para atuar nos três parques que administra, em Belo Horizonte. A medida faz parte das ações de uma comissão, criada para a prevenção e o combate a chamas nas áreas de vegetação do Jardim Zoológico, do Jardim Botânico e do Parque Ecológico da Pampulha. Área. A brigada ficará responsável por proteger cerca de 1,6 km² de área, dentre as quais 600m² são de cerrado. Entre as principais preocupações, está o planejamento para áreas vulneráveis, que têm grande fluxo de pessoas.

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