Paramilitares chavistas sequestram policial em confronto na Venezuela

O episódio sinaliza tensões entre forças de segurança regulares e organizações armadas conhecidas como colectivos, amplamente vistas como um dos elementos mais radicais nas fileiras governistas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Um confronto entre a Polícia venezuelana e facções paramilitares ligadas ao governo resultou no sequestro de ao menos um agente policial durante várias horas nesta terça-feira em Caracas. Há relatos não confirmados de que várias pessoas morreram.

O episódio sinaliza tensões entre forças de segurança regulares e organizações armadas conhecidas como colectivos, amplamente vistas como um dos elementos mais radicais nas fileiras governistas. O episódio começou no início da manhã, quando a Polícia Científica cercou um prédio no centro de Caracas que abriga a sede do colectivo conhecido como Escudo de La Revolución.

Membros da organização receberam os policiais a bala e conseguiram capturar um dos agentes, que acabou libertado no decorrer da tarde, num desfecho cujos contornos não estão claros.

Moradores relatam terem ouvido tiros. A reportagem viu intensa movimentação de motos e carros de Polícia pelas ruas do centro, onde ruas foram interditadas, causando congestionamentos. Helicópteros da Polícia sobrevoavam a área.

O ministro do Interior, Justiça e Paz, Miguel Rodríguez Torres, disse que o incidente não está relacionado com as investigações acerca do assassinato a facadas, na semana passada, do deputado governista Robert Serra.

Os "colectivos" em sua formação atual surgiram sob o governo do então presidente Hugo Chávez (1999-2013), que implantou uma autoproclamada revolução socialista baseada na redistribuição de renda e na construção de um poderoso aparato ideológico.

Sob pretexto de que representavam o "braço armado da revolução", colectivos receberam armas, motos e equipamentos de comunicação.

A oposição direitista responsabiliza o atual presidente, Nicolás Maduro, por ter ordenado que os integrantes da facção esmagassem protestos antigoverno ocorridos no primeiro semestre deste ano. Os "colectivos" são acusados de fazer outros trabalhos sujos para o governo, como intimidação de eleitores durante votações.

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