Diretora dá entrevista sobre precarieradade de escola e é exonerada

Reportagem publicada no jornal Fala, da cidade, levou à demissão da diretora e do vice e indignou moradores do bairro Lapinha, que elegeram a mulher para o cargo; prefeitura alega que ela não apresentava desempenho satisfatório

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Tenda aberta ajuda a reduzir a concentração dos alunos
MARLEY BORGES/ JORNAL FALA
Tenda aberta ajuda a reduzir a concentração dos alunos

A diretora e o vice-diretor da Escola Municipal da Lapinha, em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, foram exonerados do cargo após pais de alunos denunciarem à um jornal local a precariedade do terreno onde as aulas estão acontecendo desde junho deste ano. A escola foi demolida em julho e, desde o mês anterior as aulas acontecem em uma unidade improvisada no pasto de um antiga fazenda, sendo que parte dos estudantes assistem à aula em uma tenda de plástico. Os diretores foram escolhidos para o cargo após votação feita pelos pais e a demissão causou indignação entre os moradores.

A reportagem, publicada no jornal Fala, na edição de setembro deste ano, trazia a denúncia dos pais que apontavam que a antiga fazenda, localizada no bairro Campinho, fazia com que as crianças e adolescentes convivessem com carrapatos, ratos, poeira e falta de banheiros e água tratada. "Tem um banheiro para os meninos e outro para as meninas, mas um deles não tem pia para higienização. Mas a escola tem quase 200 alunos nos dois turnos. Não tem água potável e estavam usando água de cisternas e de um córrego", denunciou o pai de um dos alunos, que preferiu não ser identificado.

Ainda de acordo com o homem, somente após verem que a Vigilância Sanitária estava acompanhando a situação que a prefeitura resolveu mandar vários galões de água para os alunos. "Mandavam dez galões que duravam dois dias. Sexta-feira (3) enviaram uns 20 a 30 galões. A vigilância deu duas semanas para fazerem alguma modificação no local e esse prazo já estourou. Mas as aulas continuam acontecendo exatamente do mesmo jeito, só mandaram a diretora que elegemos embora", protestou.

Por não terem salas suficientes, uma parte dos estudantes são forçados a estudar em uma tenda aberta, o que atrapalha a concentração nas aulas. "Não tinha sala para eles e montaram essa tenda, que é uma loucura. Ninguém se concentra, ninguém aprende nada. O ano letivo com certeza está comprometido por essa irresponsabilidade da prefeitura. Não dá pra continuar lá até 2015, que é a previsão para conclusão da construção da nova escola", defendeu o pai do aluno.

O restante dos estudantes, a secretaria, a biblioteca e a sala dos professores se dividem em uma casa de estrutura antiga. Em outros dois cômodos funciona a despensa, onde são armazenados os alimentos da merenda escolar. "A matéria do jornal Fala mostrava que o local estava infestado de ratos e muitos alimentos haviam sido perdidos por causa disso. Sem falar no medo dos funcionários por causa da estrutura velha da casa", disse.

Exoneração

Após a publicação da reportagem, ao invés do problema ser solucionado, a medida tomada pela Prefeitura de Lagoa Santa apenas gerou mais raiva e indignação dos moradores do bairro Lapinha. "Elegemos ela para a diretoria por sabermos do bom trabalho. Ela já foi diretora por mais de 15 anos e é funcionária pública há mais de 20. Ela não fez nada errado em dar entrevista para o jornal, quem fez errado foi a própria prefeitura em demolir a escola sem ter um lugar bom de verdade para colocar eles", afirmou o pai.

Ainda de acordo com ele, assim que a prefeitura recebeu o jornal local o prefeito Fernando Pereira Gomes Neto (PSB) chamou a diretora, de 55 anos, para conversar. Durante o diálogo, ele teria anunciado que se ela "não quer andar do nosso lado, está exonerada do cargo", ainda conforme o pai de um dos estudantes prejudicados. "A diretora até foi na escola nesta terça-feira (7), mas dois funcionários da prefeitura foram lá e disseram que era para ela dar espaço para a nova diretora assumir. Diante disso resolvemos procurar a reportagem para denunciar este absurdo", finalizou.

Procurada pela reportagem de O TEMPO, a Secretaria Municipal de Educação informou por meio de uma nota que a exoneração da diretora foi motivada pelo fato dela não vir apresentando desempenho satisfatório e condizente com as políticas educacionais implantadas pela secretaria e pela comprovada deficiência no controle disciplinar dos alunos da instituição de ensino.

Por fim, a secretaria disse que o local onde hoje está instalada a escola é temporário e que ela está em busca de uma outra estrutura na região para os alunos.