Marina faz exigências a Aécio

Composições regionais indicam aliança entre PSB e tucano, mas voto não é transferido automaticamente

iG Minas Gerais | Denise Motta |

Sigilo. Beto Albuquerque visitou Marina Silva ontem para discutir o apoio do PSB no segundo turno
JOSÉ PATRÍCIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Sigilo. Beto Albuquerque visitou Marina Silva ontem para discutir o apoio do PSB no segundo turno

Em sintonia no discurso de que o país precisa de mudança, o PSDB de Aécio Neves e o PSB de Marina Silva tendem a se aliar no segundo turno da disputa presidencial. Segundo a colunista do “Estadão” Sonia Racy, Marina já teria decidido subir no palanque de Aécio mediante o compromisso do tucano de apoiar causas defendidas pela ex-ministra de Lula, incluindo uma reforma política que ponha fim à reeleição.

Ainda segundo a jornalista, o que está em discussão é se isto ocorrerá com o PSB ou se será uma manifestação isolada da Rede Sustentabilidade, partido que Marina não conseguiu criar em 2013 e que se abrigou no partido então presidido por Eduardo Campos.

Aécio está em busca dos 22 milhões de votos de Marina, mas caso ela declare apoio formal ao tucano, a transferência de votos não é certa. Hoje, PSB e PPS, legendas aliadas na chapa derrotada de Marina, se reúnem em Brasília para discutir apoios.

Pelos casamentos nos Estados, como em São Paulo e em Pernambuco, o PSB tende a apoiar Aécio (veja infografia). A decisão precisa sair nesta semana, uma vez que há pouco tempo para campanha neste segundo turno. O presidente do PSB mineiro, deputado federal Júlio Delgado, diz ter ficado satisfeito com a sinalização de Aécio para Marina, mas confessa que há integrantes da sigla com opiniões divergentes. “É preciso respeitar a posição dos colegas com prudência.”

O cientista político Antonio Lavareda avalia que a margem de transferência pode chegar a quatro pontos percentuais, o que pode fazer diferença em disputa acirrada de segundo turno.

“O apoio de Marina ao Aécio é uma coisa simbolicamente importante. Pode haver influência sobre segmento de eleitores da Marina. Mas é preciso lembrar que parte dos eleitores dela declarou que não votaria nem em Aécio nem em Dilma”.

Para a diretora executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, no segundo turno o eleitor não segue a orientação do candidato derrotado na primeira etapa. A decisão se baseia nas próprias ideias sobre os que seguem na disputa. “As simulações de segundo turno feitas até agora não servem para avaliar o que deve acontecer daqui para frente”, observa Cavallari.

Lavareda ressalta que o segundo turno não é simplesmente uma outra eleição. A imagem dos candidatos está consolidada, e sentimentos construídos se transportam. “Mais do que focar no eleitorado de Marina, Dilma e Aécio precisam dar atenção ao alto percentual de indecisos”, diz o consultor político Gaudêncio Torquato. “Nem todo apoio significa transferência de votos. É preciso olhar para onde estão os indecisos”. (Com agências)

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