Por trás da resistência

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Trajetória. Olivotto vai falar na palestra sobre seus 20 anos de história à frente do cine Belas Artes
RODRIGO CLEMENTE / O TEMPO
Trajetória. Olivotto vai falar na palestra sobre seus 20 anos de história à frente do cine Belas Artes

Pedro Olivotto já militava na área do cinema quando passou a fazer parte da equipe do cine Belas Artes, em 1996. A partir dali, foram mais de duas décadas ocupando várias funções no icônico espaço da rua Gonçalves Dias, numa trajetória que definiu não só a sua vida profissional. “É uma importância que atravessa minha vida até chegar no familiar. Tenho uma filha que faz cinema hoje, por interferência e influência do que ela viveu no Belas Artes”, reflete Olivotto.

É essa história que ele vai contar hoje no Audiovisual em Debate, projeto mensal desenvolvido pelo Centro de Referência do Audiovisual (Crav). A palestra, que acontece às 19h no Instituto Cultural Brasil Estados Unidos (Icbeu), vai usar a trajetória de Olivotto no Belas Artes para falar da importância dos cinemas de rua no Brasil.

“Eles são um espaço de resistência, os últimos templos da imagem, em que o ir ao cinema tem um significado por si próprio, algo que os multiplexes de shopping não têm”, argumenta o exibidor. Para ele, esses espaços são a única forma socializadora de conhecer imagens. “É um programa social, coletivo que sustenta os minicomplexos culturais dos quais normalmente fazem parte”, descreve.

No caso específico do Belas Artes, Olivotto reconhece o papel especial do cinema em Belo Horizonte, não só por ter sido o único cinema de rua a permanecer aberto na cidade. “Ele é a continuação de um ciclo cultural do DCE da UFMG, de uma programática histórica onde se debatia a cultura e a ditadura”, acrescenta .

Olivotto não cumpre mais um papel administrativo no espaço desde o início deste ano, quando ele foi adquirido pelo exibidor Adhemar Oliveira. Mas reconhece que o cinema se sustenta sobre um tripé – bilheteria, conexos (café, livraria) e patrocínio. “Se um deles cai, a casa cai. E o Belas continua sem patrocínio. Espero que o Adhemar, com seu prestígio e credibilidade nacionais, consiga atrair um novo patrocinador. Porque se não, o risco de sobrevida do cinema continua grande”, avalia Olivotto.

Agenda

O que. Audiovisual em Debate com Pedro Olivotto

Quando. Hoje, às 19h

Onde. Icbeu – rua da Bahia, 1.723, Lourdes

Quanto. Entrada franca

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