Explicação do "GPS" cerebral ganha Nobel de Medicina

Pesquisa pode ajudar os pesquisadores a entender a perda de memória espacial associada à doença de Alzheimer; estudo foi feito por pesquisadores noruegueses

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Tecnologia. Nova possibilidade servirá para facilitar o treinamento de novos neurocirurgiões, dizem especialistas
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Tecnologia. Nova possibilidade servirá para facilitar o treinamento de novos neurocirurgiões, dizem especialistas

Um cientista anglo-americano e um casal de pesquisadores noruegueses venceram o prêmio Nobel de Medicina, anunciado nesta segunda-feira (6), por descobrirem o sistema de navegação cerebral, o GPS interno que nos ajuda a encontrar nosso caminho no mundo.

A pesquisa realizada por John O'Keefe, May-Britt Moser e Edvard Moser representa uma "mudança de paradigma" na neurociência e pode ajudar os pesquisadores a entender a perda de memória espacial associada à doença de Alzheimer, afirmou a Assembleia do Nobel.

"Os laureados com o Nobel deste ano descobriram o sistema de posicionamento, um 'GPS interno' no cérebro, que torna possível nos orientarmos no espaço", declarou a Assembleia.

O'Keefe, de 75 anos, da University College London, descobriu o primeiro componente do sistema em 1971, quando encontrou um certo tipo de célula nervosa que sempre era ativada quando um rato estava num determinado local numa sala. Ele demonstrou que essas "células de lugar" desenhavam um mapa do ambiente e não apenas registravam dados visuais.

Trinta e quatro anos mais tarde, em 2005, May-Britt Moser e Edvard Moser, um casal de neurocientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia Norueguesa em Trondheim, identificaram outro tipo de célula nervosa, a "célula de grade" que gera o sistema de coordenadas para um posicionamento preciso e constatação de caminho, declarou a Assembleia.

Esta foi a quarta vez em que um casal compartilha um Nobel e a segunda vez que isso acontece na categoria de Medicina.

"Isso é uma loucura", disse May-Britt Moser, de 51 anos, por telefone à Associated Press. Ela contou que seu marido, de 52 anos, não ficou sabendo imediatamente que havia ganhado o prêmio porque nesta segunda-feira estava viajando Munique, onde vai apresentar sua pesquisa no Instituto Max Planck.

"É uma grande honra para nós todos e todas as pessoas que trabalhavam conosco e nos deram apoio", disse ela, acrescentando que os dois estão juntos há 30 anos. "Vamos continuar e esperamos desenvolver mais trabalhos inovadores no futuro."

Os prêmios de Física, Química, Literatura e Paz serão anunciados ainda nesta semana e o de Economia será conhecido na próxima segunda-feira. Criado pelo industrial sueco Alfred Nobel, os prêmios foram distribuídos pela primeira vez em 1901. Os vencedores recebem os prêmios em 10 de dezembro, aniversário da morte de Nobel em 1896.

No ano passado, o Nobel de Medicina foi para pesquisadores que descobriram como substâncias são transportadas entre as células, um processo que envolve atividades importantes como comunicação entre células do cérebro e a liberação de insulina.

AGÊNCIA ESTADO

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