“O povo não quer fantasmas”

Dilma Rousseff (PT) abre discurso agradecendo apoios, depois ataca o PSDB de Aécio Neves

iG Minas Gerais |

Votação. A presidente Dilma Rousseff (PT) levou sete minutos para votar, desde o registro do voto até deixar a sessão
ED FERREIRA/ESTADãO CONTEúDO
Votação. A presidente Dilma Rousseff (PT) levou sete minutos para votar, desde o registro do voto até deixar a sessão

Brasília. Acompanhada do vice, Michel Temer, a candidata à reeleição, presidente Dilma Rousseff (PT), abriu seu pronunciamento na noite de ontem, após a confirmação de que iria para o segundo turno, sem se manifestar sobre o placar da disputa, em que o tucano Aécio Neves obteve 33,55% dos votos, contra 41,59% da petista (dados com 99,98% das urnas apuradas). Dilma preferiu, primeiro, destacar o fato de ter sido vitoriosa “no primeiro turno” e agradeceu os apoios recebidos. Dirigindo-se à população, Dilma disse que se sentiu “honrada” com a confiança depositada pelos brasileiros e afirmou que este é “um momento especial para todos”. Ela fez um agradecimento especial à militância, aos partidos aliados e ao ex-presidente Lula, além de uma deferência à militância do PT e a Michel Temer, a quem chamou de “incansável e fervoroso militante” na defesa “do projeto”. Dilma afirmou que se sente como se tivesse recebendo “um recado simples” das urnas: de que deve seguir em frente. A candidata lembrou que a vitória no primeiro turno da sucessão presidencial é a sétima da trajetória petista, contando as vitórias de Lula e a sua nas eleições passadas. Após ressaltar a dianteira na primeira etapa, Dilma alfinetou seu adversário direto, afirmando que “os brasileiros não querem a volta dos fantasmas do passado”. “O povo brasileiro vai dizer, no dia 26 (data do segundo turno), que não quer os fantasmas do passado de volta. Como a recessão, o arrocho e o desemprego”. Dilma atacou o partido do adversário, ao dizer que o PSDB governa para “apenas um terço da população”. “Abandonado os que mais precisam. O povo brasileiro não quer de volta o que podemos chamar de fantasmas do passado, aqueles que quebraram esse país três vezes”. Segundo ela, os governos do PSDB, “viraram as costas para o povo” nos setores de educação e de previdência. “O povo brasileiro não quer de volta aqueles que viraram as costas para o povo, que acabaram com as escolas técnicas, esvaziaram o crédito educativo e elitizaram as nossas universidades federais, sucateando-as. O povo brasileiro não quer de volta os que chamavam os aposentados – com o perdão da palavra – de vagabundos e agora têm fórmulas mágicas para a previdência”, declarou. A presidente declarou que, se reeleita, vai fazer “de tudo” para conseguir aprovar no Congresso a reforma política, “a mãe de todas as reformas”. “Meu governo tem um fundamento moral baseado em dois valores: igualdade de oportunidades, que garante a evolução da nossa sociedade, e combate sem tréguas, duro, duríssimo, à corrupção. E a absoluta certeza de que nós precisamos fazer a reforma política, a mãe de todas as reformas”. De acordo com a candidata, o principal meio de atingir esse objetivo será “mobilizar a população em um plebiscito popular”. Ao agradecer as vitórias que obteve em Minas, seu Estado natal, e no Rio Grande do Sul, onde construiu a vida pública, ela afirmou que receberá apoios dos que quiserem apoiá-la. “Estamos abertos a receber todos aqueles que quiserem nos apoiar. Juntos, nós vamos fazer uma caminhada cada vez mais forte, mais convicta, pelo bem do Brasil”. No segundo turno, Dilma deve vir a Minas junto com Lula pelo menos quatro vezes.

PSB pede afagos por aproximação

Brasília. Integrantes da cúpula do PSB pediram ontem ao PT que o partido faça afagos em Marina Silva e ajude a abrir caminho para uma eventual aliança no segundo turno. Para isso, petistas precisariam fazer gestos para pavimentar essa aproximação. O pedido foi feito pelo presidente do PSB, Roberto Amaral, ao secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, em conversa telefônica após a derrota de Marina Silva ter sido confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não por acaso, logo depois do pronunciamento de Dilma Rousseff, alguns ministros foram vistos tecendo elogios à candidata do PSB. Gilberto Carvalho foi um deles. “Foi importante a Marina apresentar um programa. Ela foi corajosa”, disse o ministro.

Feliz, Luciana pensa em apoio

A candidata do PSOL, Luciana Genro, afirmou ontem que ficou “feliz” com os votos angariados e que os mais de 1,5 milhão de pessoas que votaram na legenda representam uma parcela da população que não se conforma com a situação atual do país. Segundo ela, o partido ainda vai decidir se apoia a presidente Dilma Rousseff no segundo turno.

PT aposta em Lula para atrair sigla e Marina

Brasília. Surpresos com o tamanho do crescimento de Aécio Neves (PSDB) na reta final do 1.º turno, o comando da campanha de Dilma Rousseff vai tentar agora construir “pontes” com o PSB e Marina Silva. Os petistas vão atuar em duas frentes: enquanto o ex-presidente Lula foi escalado para procurar a família do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos – morto em um desastre aéreo no dia 13 de agosto –, a cúpula da campanha vai investir na articulação com o seu maior aliado na legenda – o presidente do PSB, Roberto Amaral. Coordenadores da candidatura de Dilma sonham com o apoio de Marina, mas sabem que a missão não será fácil, após o duro confronto que marcou a primeira rodada da disputa com a ex-ministra do Meio Ambiente. Marina, porém, disse hoje a amigos, que vai manter a neutralidade no 2.º turno, como fez na eleição presidencial de 2010. 

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