‘Não me arrependo de nada’

Pimenta desconversa sobre erros, e executiva prefere falar sobre estratégia para Aécio

iG Minas Gerais | larissa arantes e PAULA COURA |

O terceiro. Tarcísio Delgado disse ter os “pés no chão” sobre suas chances para o governo
MARCELO RIBEIRO
O terceiro. Tarcísio Delgado disse ter os “pés no chão” sobre suas chances para o governo

Após 12 anos à frente do governo de Minas, o PSDB sai derrotado das urnas no Estado. Erros de estratégia e a falta de um “terceiro nome” são algumas das razões apontadas pela executiva estadual do partido para que o candidato Pimenta da Veiga não levasse as eleições para o segundo turno.

Pimenta, no entanto, evitou ontem falar sobre o que deveria ter sido feito diferente e disse que o erro foi que “os votos não foram suficientes”. O tucano fez um rápido pronunciamento e concedeu entrevista na porta de sua casa, na região Centro-Sul da capital. O ex-ministro estava rodeado de parentes e amigos, que chegaram logo após a confirmação de que não estaria no segundo turno. Ele estava visivelmente abalado, mas tranquilo. Algumas pessoas próximas choravam.

“Eu não me arrependo de nada. É evidente que, quando se olha para trás, sempre tem algum ponto que você pensa que poderia fazer melhor”, destacou, ao agradecer a todos que se empenharam por seu nome na disputa. Ele também desejou sucesso ao novo governador, o petista Fernando Pimentel. “Não tenho do que lamentar”, completou.

Questionado sobre o seu futuro, disse não ter “nenhum desenho de candidatura e nem de ação política a qualquer tempo”. Reiterou, porém, que está à disposição do senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB) para sua campanha. Aécio telefonou para Pimenta após o resultado. “Ele avaliou generosamente, me fez algumas colocações pessoais que acho que não cabe aqui repetir”, explicou.

Perguntado se agora iria para Goiás, ele disse: “Tomo isso como uma brincadeira. O meu lugar sempre foi aqui”. Um dos familiares do tucano se irritou com a jornalista que fez a pergunta e chegou a tomar o gravador das mãos dela.

A esposa de Pimenta, Anna Paola, que participou ativamente das agendas da campanha, também falou sobre o resultado da eleição. “Este homem fez o que ele pode fazer. É um homem vitorioso”. Anna ainda ressaltou que, apesar de Pimenta ter deixado a “vida pública”, “nunca deixou de pisar em Minas Gerais”.

Avaliação. Eleito para mais um mandato de deputado federal, o presidente do PSDB mineiro, Marcus Pestana, fez um balanço das eleições para o governo do Estado e avaliou a derrota de Pimenta. “Diferentemente da eleição presidencial, não havia uma terceira via sólida. Também é preciso reconhecer que cometemos erros”, disse.

O presidente do PSDB-MG preferiu olhar o lado positivo da campanha em Minas, como a votação surpreendente de Aécio Neves, que vai disputar o segundo turno. “Vamos nos reunir amanhã (hoje) e terça-feira para definir como será a campanha de Aécio daqui para frente. Vamos fazer o papel de toda democracia, estruturar os aliados e fazer uma oposição de controle muito efetivo em Minas. Devemos ter uma grande representação na Câmara e na Assembleia”, afirmou.

Para o coordenador da campanha de Pimenta da Veiga em Minas, Danilo de Castro, as pesquisas eleitorais atrapalharam muito a campanha. “O crescimento pífio do terceiro colocado (Tarcísio Delgado) também foi outro motivo que dificultou”, justifica o tucano.

O primeiro suplente do agora senador Antonio Anastasia, Alexandre Silveira, também questionou os resultados das últimas pesquisas. “Deixo aqui um registro da nossa indignação com as pesquisas eleitorais, principalmente as do Ibope, porque contrariaram a realidade”.

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