Projeto com crianças carentes recebe prêmio internacional

Designer alemão lançou livro com imagens feitas por moradores do Morro do Papagaio

iG Minas Gerais | manoela barbosa |

Oficina ‘Kreativwerkstatt’ ensinava desenho, colagem e fotografia
Julia Werner / Divulgacao
Oficina ‘Kreativwerkstatt’ ensinava desenho, colagem e fotografia

Logo após ter passado três meses em lua de mel com a esposa em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, o alemão Thomas Lupo, 34, abandonou a companheira e decidiu conhecer melhor a realidade brasileira. “Eu via aquelas ruas de Copacabana, tão bonitas, e me interessava muito mais pelo que estava acontecendo nos morros das favelas, onde ficava o pulmão da cidade”, justifica o designer gráfico. Nascia ali a semente de uma ideia que iria colorir a vida de crianças no Morro do Papagaio, na região Centro-Sul da capital, e render um prêmio ao estrangeiro, conquistado na sua terra natal. Depois de voltar à Alemanha, Lupo contatou a ONG Kinderhorizonte e.V., responsável por projeto social iniciado por um engenheiro ferroviário alemão. “Procurei a ONG porque gostaria de trabalhar com crianças que moram em favelas, oferecer oficinas de arte, fotografia e serigrafia. Por meio da Kinderhorizonte, consegui um estágio no Morro do Papagaio”, lembra Lupo, que voltou ao Brasil, onde passou cinco meses morando em um quartinho no centro da comunidade. O ano era 2009. Na mala, o designer gráfico trouxe muita cartolina, cola e rolos de filme. Para desenvolver o projeto, ele recebeu bolsa da fundação alemã Konrad Adenauer – que, além de custear as passagens, ofereceu a ele ajuda mensal de custo de <SC128> 400, aproximadamente R$ 1.200 hoje. “Era uma quantia boa porque eu vivia sozinho, no quartinho da favela. Eu geralmente almoçava com as crianças na cantina da ONG e, quando não estava no morro, eu visitava o Café com Letras, o Parque Municipal e a pista de skate da praça Anchieta”, conta Lupo. “Mas eu ficava muito dentro da favela também. Transformei meu quartinho, que já era bem pequeno, em um laboratório caseiro de revelação fotográfica e passava muito tempo me distraindo com aquilo”, diz. Rumo ao prêmio. De dia, Lupo – à época recém-formado em design gráfico e hoje diretor de arte em renomada agência de publicidade alemã – ensinava desenho, colagem e fotografia em sua “Kreativwerkstatt”, oficina de criatividade. Coordenadas pelo alemão, as crianças do Morro do Papagaio montaram câmeras escuras de papelão e receberam a tarefa de clicar a favela. Em pouco tempo, Lupo tinha uma montanha de fotografias, colagens e desenhos feitos pelas mãos da favela. O material foi publicado no livro “Anleitung zum Ausbrechen” – algo como “Instruções para mudar” –, com 2.444 páginas e mais de mil fotografias, todas feitas pelas crianças do Morro do Papagaio. Um ano depois, o livro venceria, na categoria ouro, o prêmio de livro de fotografia alemão “Deutscher Fotobuchpreis”. 

Tese

Oficina. O designer explorou o trabalho na oficina de arte no Morro do Papagaio como tema para a tese de conclusão do curso. “O projeto foi um sucesso, e concluí o curso com louvor”, diz.

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