Voz de samba agitada por groove brasileiro Mineira lança o primeiro CD, “O Tempo Sou Eu”, ao lado de Toni Garrido e Liminha Carla Gomes

Mineira lança o primeiro CD, “O Tempo Sou Eu”, ao lado de Toni Garrido e Liminha

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Marca. Com um pé no samba, Carla Gomes nega ser de apenas um nicho e explora variedade musical
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Marca. Com um pé no samba, Carla Gomes nega ser de apenas um nicho e explora variedade musical

Carla Gomes é daquelas interpretes da nova geração que poderiam estar cantando samba, bossa nova, música pop ou “até rap, se quisesse”, segundo a constatação do badalado produtor Liminha, ex-baixista dos Mutantes e produtor do seu primeiro disco. Mas não. O que a cantora mineira faz é experimentar um apanhado de influências em “O Tempo Sou Eu” (Independente, R$ 20, em média) para afirmar raízes que vão do reggae à MPB, passeando por uma cadência de pandeiro e batuques.

Ao contrário da safra de cantoras apadrinhadas por bambas da MPB, Carla Gomes percorreu o caminho inverso. Nascida e criada na Vila Ventosa, comunidade da região Oeste da capital mineira, ganhou notoriedade nos barzinhos da cidade cantando de Patu Fu à Chico Buarque, e bateu à porta do produtor Liminha, no Estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro. “Quando o Liminha disse que iria produzir meu trabalho, gravar comigo, o coração veio na boca”, diz.

A voz aguda e segura que parece chamar os acordes de um cavaquinho, porém, não queria servir apenas a um estilo musical que boa parte dos seus ouvintes nos bares prezavam. “O samba sempre foi uma constância em meu dia-a-dia, sempre esteve presente em minha vida pessoal, mas nunca foi o foco do meu trabalho. E ainda não é”, justifica.

É por isso que “O Tempo Sou Eu” reflete uma artista com talento fácil para os breques e malandragens de Martinho da Vila e companhia, mas não a colocam no hall de interpretes de samba. Pelo contrário, a marca mais forte que o samba imprime no disco vem só na última faixa, “4 Horizontes” (Pedro Luis e Arnaldo Antunes), na qual Carla Gomes canta sob um pandeiro solo, sem qualquer outro instrumento no arranjo.

Das 11 canções, Carla Gomes assina cinco baladas marcadas principalmente por violões de nylon e aço completados por percussões e metais sutis, que vêm encorpados por letras que exaltam em sua maioria o amor simples, como “Com Calma” (“deixar raio de sol banhar o amor / deixar meu coração entrar no andor”).

O que certamente diferencia o álbum de Carla Gomes de outras estreias fonográficas é o peso dado por Toni Garrido a boa parte das canções, com influências de soul music e reggae, além da participação de músicos experientes. Enquanto Rodrigo Tavares, ex-baixista do Fresno e atual guitarrista dos Engenheiros do Hawaii, ficou por conta dos teclados, Liminha assumiu o baixo, o francês Stephan San Juan foi convidado para a bateria e Marcos Suzano fortalece o groove das canções na percussão. O vocalista do Cidade Negra ainda contribui com diversos backing vocals, a exemplo da faixa de abertura, “Baixada News”, assinada pela dupla mineira Samuel Rosa e Chico Amaral. Assim, a maior parte das canções pertencentes a um bom repertório da MPB ganhou personalidade própria de uma cantora estreante. “Sem Cais”, parceria do guitarrista Pedro Sá com Caetano Veloso, ganhou uma guitarrada melódica agitada com distorções eletrônicas, e “Se Você” (Arnaldo Antunes e Edgar Scandurra) mescla a delicadeza de violões com o groove forte de uma artista que ainda parece procurar seu caminho, mas dá interessantes primeiros passos.

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