Mostra personifica vítimas para aproximá-las de visitantes

“Tão Somente Crianças: Infâncias Roubadas no Holocausto” chega à Biblioteca Luiz de Bessa

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

O menino Tzvi Nussbaum foi retirado de esconderijo em Varsóvia
acervo MH / divulgação
O menino Tzvi Nussbaum foi retirado de esconderijo em Varsóvia

O diretor do Museu do Holocausto, Carlos Reiss, é assertivo ao falar sobre o papel que a instituição se propõe. “Trabalhamos com memória, pesquisa e museografia. Mas o ponto principal é a educação. Acreditamos que por meio do holocausto várias lições podem ser aprendidas e utilizadas nos dias hoje”.

Por isso, não é surpresa que seja essa a premissa sustentadora da exposição “Tão Somente Crianças: Infâncias Roubadas no Holocausto”, produzida pelo museu e em cartaz a partir de amanhã na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. A mostra é composta por imagens, textos e vídeos que retratam o extermínio de cerca de um milhão de crianças durante um dos maiores genocídios do século passado. A curadoria – também assinada por Reiss – espera estimular a reflexão de jovens. “As crianças apresentadas na exposição são vítimas de intolerância e, guardadas as proporções, é a mesma atitude que provoca o bullying nas escolas, por exemplo”, afirma.

Para trilhar o visitante por esse caminho, a exposição faz uso de dois recursos. O primeiro é a utilização de painéis com informações como o direito da crianças e do adolescente publicados pela ONU. O segundo é foco curatorial na escolha de imagens passíveis de personificação das crianças que estão nas imagens. “Todos os meninos têm nome e sobrenome e suas histórias são descritas nas legendas. Dessa forma, esperamos criar um elo que aproxime todas as pessoas da realidade vivida pelas vítimas para poderem entender melhor como isso se reverbera na atualidade”, diz Reiss.

Esteticamente, as imagens escolhidas passam longe de cenas com corpos empilhados e cenas fortes do período. “Nosso acervo vem de doações de filhos e netos de sobreviventes e por isso temos muitas imagens, mas escolhemos aquelas com pessoas vivas porque não temos a intenção de chocar ninguém”, diz Reiss antes de explicar: “Por muito tempo, fotos de pilhas de sapatos e corpos foram utilizados para retratar o holocausto. Isso foi importante para uma época, mas hoje entendemos que holocausto não é só falar de morte, mas de vida, de resistência e de lições”, justifica Reiss.

Agenda

O quê. Exposição “Tão Somente Crianças: Infâncias Roubadas no Holocausto”

Quando. De amanhã até o dia 31

Onde. Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (praça da Liberdade, 21, Funcionários)

Quanto. Entrada franca.

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