Artistas mineiros esperam debate mais aprofundado e consistente

Discurso comum entre os artistas mineiros, após a definição da disputa nas eleições presidenciais deste domingo, é a expectativa de uma discussão mais consistente

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Diretor belo-horizontino Guilherme Fiúza Zenha
Pedro Gontijo
Diretor belo-horizontino Guilherme Fiúza Zenha

Independente de posições e alinhamentos políticos, o discurso comum entre os artistas mineiros, após a definição da disputa nas eleições presidenciais deste domingo, é a expectativa de uma discussão mais consistente e focada em propostas no segundo turno. Depois de um primeiro turno marcado por discursos preconceituosos e a radicalização de posições nos debates, a esperança é de que o foco no confronto entre Dilma Rousseff e Aécio Neves permita que as questões relevantes sejam aprofundadas, e que os projetos de país de cada um fiquem mais claros.

“Gostaria que as campanhas discutissem mais o que querem fazer, e quem é cada candidato, com um nível melhor”, afirma o cineasta Guilherme Fiúza, diretor do recente “O Menino no Espelho”. Por sua vez, o músico Chico Amaral acredita que a polarização vai acirrar os ânimos, mas espera “que as discussões sejam aprofundadas e tenham conteúdo para que a cultura política do país avance, que o Brasil ganhe com isso, e não sofra um desgaste e as coisas não fiquem no nível da mistificação e da grosseria”. A bailarina Thembi Rosa reforça o discurso. “Que as propostas realmente entrem na pauta, com uma discussão mais consistente no segundo turno”, deseja.

Com relação ao resultado surpreendentemente expressivo do tucano Aécio Neves, com quase 35 milhões de votos, 13 milhões a mais que Marina Silva, do PSB, ao contrário do que as pesquisas apontavam, os artistas enxergam alguns motivos. “Acho que o Aécio é bom de debate porque ele é um cara de TV. Nesse aspecto, ele é mais forte que a Marina”, opina Amaral, eleitor declarado de Dilma Rousseff. Já Fiúza acredita que o embate forte surgido entre Dilma e Marina, com o crescimento da última após a morte de Eduardo Campos, poupou o tucano de uma artilharia pesada. “Ele ficou resguardado nesse debate que se formou entre as duas”, avalia.

Outro eleitor declarado de Rousseff, o cineasta acredita que o resultado das eleições em Minas Gerais vai ter um peso grande no cenário que se forma para o segundo turno. “O Pimentel ser eleito para governador após 12 anos de PSDB, e o Aécio ir para o segundo turno, mas perdendo no próprio Estado, é muito significativo”, opina. “Acho que o eleitor mineiro fez uma crítica, e o país vai ficar consciente dela”, reforça Amaral.

Já Thembi Rosa, apoiadora do candidato tucano, aposta que os bons resultados da gestão de Aécio Neves em Minas, especialmente na área da cultura, vão falar mais alto. “Vejo um apoio muito forte dele na questão da arte-educação. O Filme em Minas foi um projeto muito bem sucedido. Com o circuito que ele criou, começa um diálogo interessante entre universidade e cultura, resultados de uma política de gestão que vem do Anastasia, muito bem articuladas e programadas, com um objetivo claro”, defende a bailarina, atual diretora do Centro de Arte Popular da Cemig.

Quem define bem o cenário que se forma para o segundo turno é o músico Wagner Tiso. “O Aécio foi melhor que o Serra no primeiro turno. A campanha dele vai ficar empolgada e vai ser uma disputa acirrada. A militância do PT vai ter que falar alto e ir pra rua para parar essa subida”, avalia Tiso, que também se declara apoiador de Dilma.

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