Jornais internacionais relatam surpresa com Aécio no segundo turno

As eleições no Brasil ocupam posições de destaque nos principais jornais internacionais

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

As eleições no Brasil ocupam posições de destaque nos principais jornais internacionais. Com o fim da apuração dos votos, a maioria deles relata a surpresa de ter o candidato tucano Aécio Neves no páreo contra a presidente Dilma Rousseff.

O italiano "La Repubblica" destaca o importante papel da candidata do PSD no segundo momento das eleições e resume o cenário político atual do Brasil. "Derrotada como há quatro anos no primeiro turno, Marina Silva se torna determinante para o segundo turno: na verdade, se ela decidir apoiar

Neves, poderá ajudá-lo a bater Dilma. É esta a grande surpresa das eleições brasileiras: Dilma no segundo turno, neste momento, se arrisca não só porque os votos de Aécio e Marina juntos são superiores aos seus, mas tamb´me porque a diferença entre a atual presidente e seu desafiante é de pouco mais de 5%", trouxe a matéria de Omero Ciai.

Além do resultado deste primeiro turno das eleições, o norte-americano "Washington Post" deu atenção à nossa tecnologia para o pleito - principalmente aos inconvenientes causados por ela. "O novo sistema biométrico de votação que tem sido testado em diferentes Estados causou problemas quando a identificação digital não funcionou sempre. O resultado foram  grandes filas em seções eleitorais em Brasília, a capital federal, e Niterói, Rio de Janeiro". O jornal trouxe a história de LUiz Sampaio, 72, que esperou uma hora na fila em Niterói porque as máquinas não funcionavam bem.

"Cada pessoa levava de cinco a dez minutos. Um absurdo", desabafou ele ao repórter do jornal. O tradicional jornal britânico "The Guardian" atribuiu a vitória de Dilma no primeiro turno ao programa petista de distribuição de renda, e recuperou um pouco da história dessas eleições. "A disputa pareceu virar de ponta-cabeça em agosto, quando o candidato do partido socialista, Eduardo

Campos, morreu em um acidente de avião. Sua vice, (Marina) Silva, se beneficiou de uma grande onda de simpatia que triplicou as intenções de voto para o partido e o colocou brevemente em primeiro lugar. Mas os dois principais partidos reafirmaram sua força usando suas vantagens substanciais no tempo (de propaganda) na TV e seus fundos de campanha para atacar Silva e pressionar com sua maior experiência na área-chave da economia".

Chacota. Dentre temas que incluíam o papel central dos direitos homossexuais nestas eleições, a rede CNN dedicou uma matéria aos candidatos - no mínimo - inusitados desta disputa. O material traz trechos de propaganda eleitoral do deputado estadual Tiririca (PR-SP), do também estadual Paulo

Batista (PRP-SP) e Claudio Henrique Barack Obama (PT-RJ), candidato a deputado Federal. "Em uma tentativa de se destacar, os candidatos se fantasiam e até mudam seus nomes legalmente", diz a repórter em seu texto. E acrescenta: "O voto é obrigatório no Brasil. E, em um país onde mais de um milhão de pessoas foi às ruas no ano passado para protestar contra os políticos usuais, muitos candidatos esperam tirar vantagem do horário eleitoral gratuito para apelar para essa frustação - ou, pelo menos, para o senso de humor dos eleitores".

"Todos com quem conversamos afirma que estão votando em propostas. Ninguém admite votar em um palhaço, um "Superman", ou um "Bin Laden". Mas, quatro anos atrás, o palhaço Tiririca foi o candidato ao Congresso mais votado. Sua mensagem para a re-eleição é 'vocês querem saber qual o papel de um político?' - ele pergunta, segurando um rolo de papel higiênico". O texto é da repórter Shasta Darlington, correspondente da CNN em São Paulo. 

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