Papa pede que bispos parem disputas internas

Papa Francisco mostrou sua aparente irritação com os líderes da Igreja Católica que às vezes travam uma batalha pública

iG Minas Gerais | Da Redação |

 Ao abrir neste domingo (5) o encontro mais importante de seu pontificado, o papa Francisco mostrou sua aparente irritação com os líderes da Igreja Católica que às vezes travam uma batalha pública amarga entre progressistas e conservadores sobre questões da família.   A 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família (órgão da hierarquia católica que mais se aproxima de um parlamento) é a primeira desde a eleição de Francisco, há 19 meses, com um mandato para revirar uma instituição com cada vez menos fiéis em muitos países e atingida por escândalos que incluem o abuso sexual de crianças por padres e irregularidades nas finanças do Vaticano.   A reunião, convocada para tratar da temática da família no contexto da evangelização, é vista como um teste para a visão do papa de uma igreja que seja mais próxima dos pobres e daqueles que sofrem, e não tão obcecada com questões como homossexualismo, aborto e contracepção. Em um sermão solene na Basílica de São Pedro que abriu formalmente o sínodo com quase 200 bispos, o pontífice fez referência a uma disputa interna que precedeu o encontro, deixando claro que ela não o agradou. "As reuniões do sínodo não têm o objetivo de discutir ideias lindas e inteligentes ou de ver quem é o mais inteligente", disse. Comparando a igreja a um vinhedo, ele afirmou que tudo tem de ser cuidado com liberdade, criatividade e trabalho duro. Liberais na igreja dizem que os conservadores tentam ditar o resultado do sínodo, particularmente sobre a questão de se a Igreja deveria modificar os ensinamentos que negam a comunhão dos divorciados que então voltam a se casar no civil. Não se espera nenhuma mudança imediata como resultado do sínodo, embora ele vá preparar o caminho para um encontro mais amplo dos clérigos católicos no próximo ano, que apresentará ao papa sugestões que poderiam levar a mudanças em questões relacionadas à família e à moralidade sexual. No mês passado, o cardeal Leo Raymond Burke, um conservador americano baseado no Vaticano, e outros cardeais com mentalidade parecida lançaram um ataque preventivo ao publicar em conjunto um livro intitulado "Remaining in the Truth of Christ" ("Permanecendo na Verdade de Cristo", em tradução livre), em que defendem com força o status quo nas regras para os que se divorciam e casam novamente. O principal alvo das críticas de Burke foi o cardeal Walter Kasper, um alemão que argumentou que a Igreja deve encontrar formas de mostrar misericórdia às pessoas cujos primeiros casamentos fracassaram e que querem permanecer como parte integral da Igreja. O debate sobre as questões da família se intensificou depois de uma pesquisa mundial mostrar que os católicos ignoraram os ensinamentos da Igreja sobre o controle de natalidade, o sexo antes do casamento e a aceitação do homossexualismo. Kasper, que o papa defendeu como um de seus teólogos favoritos, acusou seus críticos de atacá-lo porque ele encorajou o diálogo e indicou que o pontífice pode estar aberto a mudanças nos ensinamentos se houver recomendações dos bispos. Os encontros do sínodo terminarão no domingo de 19 de outubro, com a beatificação do papa Paulo 6º, que, além de concluir o decisivo Concílio Vaticano 2º, instituiu o Sínodo dos Bispos.

Leia tudo sobre: Papabatalhabispos