Brasil vai às urnas dividido entre o apoio e a rejeição ao PT

Aécio e Marina alimentam o antipetismo para chegar ao segundo turno

iG Minas Gerais | Carla Kreefft |

POLITICA - Sao Jose dos Campos - SP, Brasil - 03/10/2014
Ex-Ministro da Saude Alexandre Padilha , candidato do PT ao Governo do Estado durante caminhada com a Presidenta Dilma Rousseff no centro da cidade .

FOTO : Ichiro Guerra / Dilma 13
Ichiro Guerra / Dilma 13
POLITICA - Sao Jose dos Campos - SP, Brasil - 03/10/2014 Ex-Ministro da Saude Alexandre Padilha , candidato do PT ao Governo do Estado durante caminhada com a Presidenta Dilma Rousseff no centro da cidade . FOTO : Ichiro Guerra / Dilma 13

As últimas eleições presidenciais foram polarizadas entre PT e PSDB, mas, agora, uma característica derivada dessa marca foi estabelecida de forma inegável. Trata-se do acirramento da disputa entre o chamado petismo e o antipetismo. Vão às urnas hoje 142.822.046 eleitores diante de uma forte divisão de forças políticas.

Durante essa campanha, o país se repartiu entre os que aprovam a gestão da presidente Dilma Rousseff e de seu partido, o PT, e os que a desaprovam e querem ver os petistas longe do governo federal. Esse grupo antipetista conseguiu um mote que conquistou parte da sociedade: o combate à corrupção.

Os fatores que contribuíram para a radicalização dessa polarização podem ser muitos. Na opinião de especialistas, a piora nos índices da economia – como o aumento da inflação e a queda do nível de emprego formal – contribui para a insatisfação do eleitorado, que começa a desejar mudanças. Esse ambiente é propício ao crescimento da oposição, que ainda se beneficia da série de denúncias de corrupção, especialmente na Petrobras.

Segundo Rogério Pacheco Jordão, jornalista, blogueiro e mestre em política comparada pela London School of Economics, o debate na TV Globo, exibido na última quinta-feira, deixou claro que o candidato Aécio Neves (PSDB) aposta tudo no antipetismo para chegar ao segundo turno. “O candidato citou as letras PT em praticamente todas as suas intervenções. Isto bate com o mostrado recentemente no horário eleitoral, no qual seu programa clamou abertamente pelo voto útil contra o PT”, diz em seu blog. Ele se referiu à frase usada no último programa eleitoral do tucano: “Aécio é o voto útil para vencer o PT”.

Durante a campanha, Aécio adotou algumas expressões, repetidas em praticamente todas as agendas, como: “a máquina administrativa está a serviço da companheirada”, “o PT é leniente com a corrupção”, “há um cansaço com o que aí está”.

A candidata do PSB, Marina Silva, também foi para o ataque ao petismo, utilizando como principal mote a “velha política”, que, segundo ela, foi também adotada pelo PT. Em discurso feito em Belo Horizonte, ela pediu aos eleitores que atentassem aos “políticos tradicionais”, que apoiam a presidente Dilma. E citou os senadores Fernando Collor e Renan Calheiros. Marina fez duras críticas à gestão petista e disse que, por divergências, deixou o partido.

Para o cientista político da PUC Minas Malco Camargos, a campanha presidencial foi marcada por um “acirramento raso dos dois lados”. “São petralhas (referência aos ladrões Irmãos Metralha, personagens do Walt Disney, e aos petistas) contra a privataria (crítica dos petistas à política de privatização dos tucanos), ricos contra pobres. E a campanha se perdeu do ponto de vista programático”, afirma, lembrando que essa divisão se multiplicou pelas redes sociais. “Esse discurso polarizado e acirrado não apresenta nenhuma solução para o país”, destaca o cientista político.

Voto no PT Fernando Tavares

Com 23 anos, cursando faculdade, solteiro e dono de seu próprio negócio, Fernando não é filiado a nenhum partido, mas sabe exatamente porque vai votar em Dilma Rousseff. A principal justificativa para a opção é simples: “na comparação com os outros candidatos, ela se torna a melhor alternativa”. Ele ainda completa: “os antipetistas usam as redes sociais, colocam a Petrobras como um problema, de forma até agressiva, mas se esquecem de tudo de bom que ela fez”. Ele cita a educação como o principal avanço da gestão petista. “Na educação, Dilma é muito presente. O Pronatec e mesmo o Fies são exemplos dessa presença”, destaca. Ele também cita a necessidade de algumas mudanças, como a redução da carga tributária, mas aposta que a presidente petista será capaz de fazer o desejado.

Não voto no PT Clair José Benfica

Casado, um filho, 53 anos, com curso superior completo, o servidor público sabe muito bem porque não votará no PT. “A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula fecharam o século XX. Isso já foi resolvido. Eles não acrescentam mais nada”, afirma, explicando que a questão social, que é a principal bandeira do PT, já foi vencida. Ele lembra que “as ruas mostraram isso”, referindo-se às manifestações e protestos ocorridos em junho do ano passado. “Precisamos agora entrar no século XXI e quem pode fazer isso é a candidata Marina Silva”, declara. Ele utiliza uma expressão popular para falar dos objetivos do PT. “O partido não quer largar o osso. Está interessado no poder, só no poder. A impressão que se tem é que o importante para os petistas é apenas ficar no cargo”, afirma, lembrando que Marina é quem tem proposta nova. 

 

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