Aécio: após ‘vendaval Marina’, segundo turno mais perto

Aécio foi ‘engolido’ por ex-senadora depois da morte de Campos, mas reagiu na reta final, segundo pesquisas

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Aécio Neves em caminhada por São Bernardo do Campo (SP), em 29/9/2014
PSDB/DIVULGAçãO
Aécio Neves em caminhada por São Bernardo do Campo (SP), em 29/9/2014

Oficialmente, ele se tornou candidato em junho. Nos bastidores, nunca escondeu o plano traçado desde a juventude, quando ainda assessorava o avô Tancredo Neves. Há menos de dois meses, se viu perto do sonho. Driblou a ala paulista do PSDB e uniu a legenda. Nas pesquisas, aparecia próximo de um segundo turno com Dilma Rousseff (PT). Mas, do dia para a noite, com a morte de Eduardo Campos (PSB), a campanha de Aécio Neves entrou numa montanha-russa de mais baixos do que altos.

Hoje, o tucano chega às urnas em recuperação e com mais chances de ser o adversário de Dilma no segundo turno. A candidatura do senador se divide entre antes e depois da entrada de Marina Silva (PSB) na disputa. Do nome mais forte da oposição, ele passou ao papel de coadjuvante. Chegou a ficar 10 pontos atrás de Marina nas pesquisas e foi ignorado nos primeiros debates.

Diante da queda, bombardeou Marina, e a estratégia surtiu efeito. Nas últimas duas semanas, o senador mineiro aparece mais perto do segundo turno. No ninho tucano, garantem que Aécio jamais se abateu diante do revés e que, independentemente do resultado, sai fortalecido. “Foi fundamental ele ter sempre motivado os companheiros. Ele sai mais respeitado”, diz o deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

Para o coordenador de campanha, senador Agripino Maia (DEM-RN), Aécio foi um “bravo”. “Quando tiramos Marina da santidade e a mostramos com defeitos e virtudes, conseguimos fazer com que as pessoas a comparassem com o Aécio”, avalia.

Apesar dos relatos de confiança, pessoas próximas ouviram do candidato um “não sei o que fazer” após a divulgação das primeiras pesquisas em que figurava em terceiro lugar, inclusive em Minas. Aécio nunca perdeu uma eleição. Venceu todas com facilidade e não está acostumado a ter que reverter placares. “Ele aprendeu muito. Sai mais amadurecido”, confidencia um tucano.

Análise

“Se chegar ao segundo turno, é a vitória de um discurso mais econômico. Se vencer Marina, ele mostra uma força de arranque final. Se não, fica enfraquecido e vai bater de frente no Senado com os tucanos José Serra, Álvaro Dias, Tasso Jereissati. Vai perder espaço para a ala paulista do PSDB”, diz o cientista político Antônio Flávio Testa.

A história de um herdeiro político

Herança. Aécio nasceu em Belo Horizonte e tem 54 anos. Filho do deputado Aécio Cunha e neto de Tancredo Neves, iniciou a vida política aos 23 anos, como assessor do avô.

Formação. Economista, foi deputado federal, governador e é senador. Preside o PSDB. 

Vida pessoal. Pai de três filhos, sempre teve fama de bon vivant. Casou-se com Letícia Weber em 2013 e adotou a imagem de pai de família.

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