Dilma Rousseff: de uma ‘reeleição certa’ a um cenário acirrado

Manifestações de junho de 2013 foram determinantes para a queda acentuada de popularidade da presidente

iG Minas Gerais | RODRIGO FREITAS |

Dilma Rousseff participa caminhada em Santos. Santos - SP, 30/09/2014
PT/Divulgacao
Dilma Rousseff participa caminhada em Santos. Santos - SP, 30/09/2014

Até junho de 2013, a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), ostentava níveis de popularidade estratosféricos. A aprovação da petista (55%) era maior até mesmo do que a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu primeiro mandato. Mas as manifestações que encheram as ruas do Brasil durante a Copa das Confederações mudaram o rumo das eleições deste ano, e, em 30 dias, a popularidade de Dilma despencou para 31%.

A reeleição da presidente, que parecia tranquila até então, deixou de ser uma certeza. No campo político, Dilma já enfrentava dificuldades na relação com aliados – notadamente o PMDB – e com o Congresso Nacional. O estilo centralizador da presidente desagradava até mesmo aos petistas, mas os níveis de apoio popular da presidente mantinham os aliados por perto.

Mais de um ano depois, Dilma chega hoje à disputa como favorita, mas trata-se de um favoritismo diferente daquele do período pré-junho de 2013. A presidente teve que lidar com fortes oscilações nas pesquisas e um embate direto com Marina Silva (PSB), que acirrou a disputa. Nas últimas semanas, no entanto, Dilma deu sinais de reação, mas nada que garanta uma vitória logo no primeiro turno.

“Dilma vai se recuperando lentamente mais uma vez. Mas isso mostra um lado interessante de que, mesmo em cenários adversos, Dilma conseguiu se recuperar. E isso aconteceu duas vezes. Após junho de 2013 e após a disputa com Marina”, avalia o cientista político Paulo Roberto Leal, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

ANÁLISE. Entre os aliados de Dilma, há um sentimento de surpresa, uma vez que o pensamento era de que a disputa direta se desse contra o candidato do PSDB, Aécio Neves. “Foi surpreendente. Achávamos que aqui, em Minas, disputaríamos palmo a palmo com Aécio, mas a morte de Campos mudou tudo”, diz o deputado federal Miguel Corrêa (PT).

Carlos Magno, especialista em marketing político, avalia que a campanha de Dilma chega hoje à eleição “mais inteira” do que as outras, mesmo que ela não tenha a mesma popularidade de outrora. “Embora a Dilma não seja um primor de candidata, ela deu mostras de força política nessas últimas semanas”, avalia Magno.

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