Marina: o imponderável que derrubou as previsões

Morte de Eduardo Campos colocou Marina Silva na corrida pelo Planalto

iG Minas Gerais | RODRIGO FREITAS |

Marina Silva participa de evento de campanha em Recife (PE), no dia 29/9
PSB/Divulgação
Marina Silva participa de evento de campanha em Recife (PE), no dia 29/9

Durante dois anos, Marina Silva, que hoje disputa a Presidência pelo PSB, tentou fundar seu próprio partido: a Rede Sustentabilidade. Sem conseguir as quase 500 mil assinaturas necessárias, abrigou-se no PSB de Eduardo Campos, em outubro do ano passado, numa jogada que surpreendeu o mundo político. A ambientalista, que queria ser candidata a presidente, fez um acordo com Campos e aceitou entrar na chapa do ex-governador de Pernambuco como vice.

O que não estava no roteiro é a tragédia que colocaria Marina no centro da disputa. A morte de Campos, em um acidente aéreo em Santos (SP), no dia 13 de agosto, a fez candidata da noite para o dia. A chegada da acreana à disputa mudou o tabuleiro político das eleições, e ela tomou o segundo lugar nas pesquisas de Aécio Neves (PSDB), que a partir de então teve que lutar para não ficar reduzido a um papel coadjuvante.

Marina ascendeu meteoricamente nas pesquisas e rivalizou palmo a palmo com a presidente Dilma Rousseff (PT). As campanhas de Dilma e Aécio começaram, então, uma tática de desconstrução da ‘neossocialista’.

Volatilidade

Os adversários exploraram contradições no discurso da candidata, como a autonomia ao Banco Central e o fato de ela ter revisto o combate à homofobia em seu programa de governo. Aos poucos, Marina caiu nas pesquisas e chega ao dia das eleições em terceiro lugar. Para Rodrigo Mendes, especialista em marketing político, a “imagem fluida e volátil” da candidata contribuiu para a mudança de um cenário que se mostrava amplamente favorável a ela.

“Faltou um posicionamento mais claro, mais evidente de Marina. Ela ficou vulnerável quando foi atacada e não soube se defender adequadamente de Dilma e Aécio. Não é uma situação favorável, mas ela também não deixa de ser uma candidata competitiva”, avalia Mendes.

Dentro da sigla, ainda há esperança. “O partido (PSB) tem que ter uma preocupação mesmo. Marina tinha uma vantagem muito acentuada, mas, de oito dias para cá, houve uma queda. Ainda assim acredito que ela vai chegar ao segundo turno”, diz Tarcísio Delgado, candidato a governador de Minas pelo PSB e principal cabo eleitoral dela no Estado.

Do seringal a desertora para roubar a cena

História. Marina Silva, 56, nasceu em um seringal a 70 km de Rio Branco, no Acre. É formada em história, casada e mãe de quatro filhos.

Militância. Lutou pelas causas ambientais com Chico Mendes. Ajudou a fundar o PT, onde permaneceu por 24 anos.

Candidata. Participa da sua segunda disputa presidencial. Na primeira, em 2010, pelo PV, conquistou 20% dos votos. Foi senadora e ministra. 

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