É o afeto, estúpido!

iG Minas Gerais |

Um frase que marcou a história e mudou o rumo das eleições presidenciais norte-americanas se deu em um debate eleitoral (daqueles bem feitos, no qual se eleva o discurso para o discussão de mais programas governamentais e o foco fica menos nas baixarias). Na ocasião, aconteceu uma reviravolta marcada pela presença do candidato Bill Clinton, que reverteu o favoritismo do então presidente Bush pai. No debate o candidato democrata manteve seu foco no maior problema que o país enfrentava naquele momento, enquanto o seu oponente tentava despistar e levar a discussão para temas menores. Clinton, neste dia, olhou para as câmeras e soltou a pérola: - É a economia, estúpido! E ganhou uma improvável eleição. Pois bem, hoje, parafraseando o ex-presidente norte-americano, venho a plenos pulmões dizer a todos que tentam formular teses complexas para tentarem explicar a decadência das relações humanas, como também justificam o adoecimento do psiquismo, o empobrecimento interpessoal, o esgarçamento do tecido social e o distanciamento entre as gerações. Quero falar também para os que tentam entender a conectividade que liga seres humanos à distância, enquanto esta mesma “distância” afasta as pessoas que estão próximas. Para eles só tenho a dizer: - É o afeto, estúpido! Ora, me expliquem como de um hora para outra, querem anestesiar as emoções humanas? Será que realmente uma inteligência artificial, superará a inteligência humana e biológica? E daí se um computador é, atualmente, um campeão insuperável de xadrez, pois decora todas as jogadas possíveis em números algoritmos? Quem vai comemorar, dar um beijo, levantar a bandeira e cantar o hino? Sendo a energia mental, a condensação do intelectivo (pensamento, lógica, raciocínio ) junto ao afetivo ( emoções, sentimentos) e o volitivo (força de vontade) ou caso queiram, a interação pensar-sentir-agir, pergunto: se subtrair das nossas experiências existenciais o afeto, suprimindo sentimentos, negando emoções, como manter o equilíbrio físico, psíquico e espiritual? Pois é, meus amigos. Os maiores transtornos de ansiedade e de humor que levam quase 3/4 da população a buscar auxílio em serviços de saúde são oriundos da área do afeto! Ou será que a Organização Mundial de Saúde (OMS) está errada em alertar que a sede das emoções e o estresse no cérebro precisam ser estudados e tratados não só por psiquiatra, mas também por todas as especialidades médicas? Tudo isso é devido a relação direta entre o córtex (área responsável entre outras funções superiores, pelo pensamento), o hipotálamo (onde se situa o sistema límbico ou de estresse e emoções) e a hipófise (glândula que controla hormônios de órgãos fundamentais na parte física ou corporal). Eis aqui uma ligeira visão da universalidade da vida, pois do mesmo modo que não se pode compreender o sofrimento humano, sem entender que ele é um ser polidimensional, interligado, mente- cerebro- corpo e alma, não se pode imaginar que, por enquanto (quem sabe em séculos ou milênios), ele se torne tão racional, tão lógico, tão frio, tão máquina, abrindo mão dessa herança mamífera, que é o estresse ligado às emoções e afeto. Sei que o emocional é algo primitivo, nos faz ter medos, inseguranças, nos gera culpas colossais e somos atacados por angústia de estourar o peito de tanta dor. Mas o afeto nos brinda com alegrias, traz um prazer indizível nas vitórias, assim como nos arrasta ao labirinto cruel do ciúme e nos encarcera em tristezas dolorosas. Para-o bem ou para o mal, o afeto colore a vida, em tons maravilhosos ou lúgubres, aguça nossas memórias, nos faz poetas, grava musicas em nossas almas, encanta nossos amores. Não é virtude nem defeito. É como tudo no universo: depende da nossa capacidade de sermos artesãos de nós mesmos. Ok, ultimamente andamos meio sem inspiração, quem sabe masoquistas, ou sádicos, sei lá Mas minha esperança é que sejamos românticos envergonhados,inibidos quem sabe...

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