Pimenta: de volta à política para manter o PSDB no governo

"Meu objetivo na vida pública é atender às regiões e às pessoas mais carentes. Converso com as pessoas e veja as necessidades que elas têm"

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

O candidato ao Governo do Estado pela Coligação Todos por Minas, Pimenta da Veiga, reuniu-se na noite de segunda-feira (25/08), em Belo Horizonte, com diretores, conselheiros e advogados de 20 cidades mineiras, na sede da OAB-MG.
Divulgação/PSDB
O candidato ao Governo do Estado pela Coligação Todos por Minas, Pimenta da Veiga, reuniu-se na noite de segunda-feira (25/08), em Belo Horizonte, com diretores, conselheiros e advogados de 20 cidades mineiras, na sede da OAB-MG.

Os registros do acervo histórico da Câmara dos Deputados cravam a reação das galerias ao fim de um dos discursos em maio de 1981: “Muito bem! Muito bem! (Palmas)”. A ofensiva verbal contra o general João Figueiredo alcançou seu auge com o termo “boquirroto”. Em um significado atualizado, “falastrão”. Faltava pouco para o regime militar no Brasil (1964 – 1985) chegar ao fim, mas o último ditador dos anos de chumbo estava envolvido em um dos episódios mais polêmicos do período: um atentado a bomba frustrado no Rio de Janeiro.

“Nós lamentamos que o boquirroto general Figueiredo, que tanto falava diariamente, tenha sido calado pelo estourar de uma bomba (...). O que a opinião pública nacional – e agora a internacional – deseja saber é: quais são os culpados pela colocação das bombas que explodiram no Riocentro e qual a punição que será adotada contra isso?”, discursava João Pimenta da Veiga Filho, aos 34 anos, em seu primeiro mandato como deputado federal, na tribuna do Congresso.

Naquela época, estava filiado ao PMDB e cobrava uma explicação para o atentado que o governo divulgava como sendo culpa de militantes pró-democracia. O que a história provaria, anos mais tarde, é que o episódio foi mesmo “plantado” pelos próprios militares. A bomba, que deveria ter explodido no espaço onde ocorria um evento de comemoração ao Dia do Trabalhador, acabou estourando dentro do carro onde estavam os militares, causando, inclusive, a morte de um deles.

A aceitação da denúncia do falso atentado pela Justiça Federal com o argumento de que o crime era “imprescritível” ocorreria apenas mais de 30 anos depois, em 2014, mesmo ano em que Pimenta seria confirmado como candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais.

O PSDB do Estado deu a cartada final com o nome do ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso, que estava distante do cenário político havia mais de uma década. Desde que deixou a pasta, em 2002, Pimenta se instalou em Goiás.

Dois anos depois de se afastar das empreitadas políticas, em 2004, perdeu o filho Vinícius, vítima de um câncer de pulmão. Aos 30 anos de idade, o primogênito já era juiz e tinha uma carreira promissora em Goiânia. Além dele, Pimenta teve outros dois filhos com a primeira mulher, Juliano e Isadora, e mais dois, João Neto e Pedro, com a segunda esposa, Anna Paola, com quem é casado há 25 anos.

Aqueles que passaram a conviver com Pimenta desde que foi alçado à condição de pré-candidato ao Palácio Tiradentes relatam que ele é bem-humorado e trata muito bem as pessoas ao seu redor, preocupa-se com o almoço e o descanso dos integrantes da sua campanha. Nas palavras do candidato ao Senado pelo PSDB, Antonio Anastasia, “metódico, culto e muito pontual são algumas de suas qualidades”. Ao falar sobre a convivência intensa dos últimos meses, o ex-governador destaca o “caráter íntegro de um homem de bem, que passei a admirar e estimar ainda mais”. A admiração passa ainda pela naturalidade de Pimenta para enfrentar os voos pelo Estado, tranquilidade que falta a Anastasia.

Já a relação com a imprensa, no entanto, teve um desenrolar mais complicado. Em uma das agendas eleitorais, o tucano se irritou com o assédio dos jornalistas e afirmou que não queria ficar “o dia todo dando entrevistas”. A frase surgiu depois que uma repórter chegou atrasada ao evento e perguntou algo que já havia sido questionado. Um dos assessores pediu desculpa pela atitude e compensou com bastante atenção o “descuido” de Pimenta.

Em certa ocasião, o tucano pediu que fotógrafos ficassem a três metros dele. O assédio estava “assustando” Pimenta. Mas a recomendação durou pouco. Bastou uma agenda ao lado de seu principal cabo eleitoral e candidato à Presidência da República, Aécio Neves, para ele perceber a verdadeira batalha que se instala entre os profissionais na busca do melhor ângulo e da melhor foto.

Longe dos holofotes, ele gosta de futebol para descontrair. Em especial, dos jogos do Atlético Mineiro. Não dispensa um bom churrasco. “Já assisti a algumas partidas de futebol com ele, que sempre vibra bastante. Como um bom mineiro, gosta de contar casos interessantes e engraçados”, detalha um dos integrantes da campanha. As netas Gabriela e Eduarda, ambas de cinco anos, mesmo com a correria, têm um lugar especial na rotina do avô Pimenta da Veiga.

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