Congresso tem propostas antigas, caras novas e outras nem tanto

Especialistas acreditam que Congresso não vai dar vazão às demandas das manifestações

iG Minas Gerais | Humberto Santos |

Manifestantes pretendem ocupar os espaços públicos durante o campeonato, como ocorreu, em junho do ano passado, na Copa das Confederações
ARQUIVO / FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM / AGÊNCIA BRASIL
Manifestantes pretendem ocupar os espaços públicos durante o campeonato, como ocorreu, em junho do ano passado, na Copa das Confederações

Após as manifestações que tomaram as ruas do país em junho de 2013, a expectativa dos eleitores é que a nova legislatura no Congresso, eleita hoje, dê vazão a suas demandas. Porém, nada disso pode acontecer.

A avaliação pessimista é de cientistas políticos, que acreditam que nada vai mudar no Congresso e vai permanecer a atual “crise de representatividade”.

“A crise é evidente. O Congresso é uma das instituições mais rejeitadas do país. A mudança dos parlamentares não é exatamente qualitativa. Não há mudança, e sim circulação do poder, com o retorno de velhos conhecidos”, avalia o diretor e analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto Queiroz.

O analista acredita que o Congresso pode ficar mais conservador, com a eleição de pastores e de parlamentares comprometidos com temas como a redução da maioridade penal e a “valorização da família”. “Isso exigiria um trabalho maior de pressão popular para conseguir resultados frente às demandas”, diz Queiroz.

Para o consultor e cientista político Paulo Kramer, não vão acontecer mudanças no Congresso que atendam as reivindicações das manifestações de 2013. Não com o sistema político atual.

“A fragmentação dos partidos e dos parlamentares eleitos é muito grande, e isso leva a uma dificuldade para o governo conseguir maioria”, avalia Kramer. Além disso, o analista afirma que os políticos são muito corporativistas e prezam pela “sobrevivência”.

“A corporação dos políticos tem um poder imenso de autorregulamentação. São eles que fazem as leis. Muitos sabem que o sistema é podre, é falho, mas o princípio da sobrevivência fala mais alto. Eles pensam: ‘Fui eleito por esse sistema, tenho que mantê-lo’. E nada muda”, avalia Paulo Kramer.

Queiroz completa que as coligações ajudam a eleger candidatos sem compromisso com as bandeiras dos partidos. “Por exemplo, aqui, em Brasília, se votar na legenda para o PT, corre o risco de eleger o Pastor Ronaldo, que é da coligação do PT, mas não prega os mesmos valores”, explica.

A solução, segundo o analista, seria aproximar o eleitor do seu representante. Para isso, a implantação do voto distrital seria fundamental.

Para Queiroz, também seria ideal ter a reforma política, mas o cidadão pode acompanhar mais de perto o eleito e divulgar as atitudes, principalmente as ruins, para tentar constrangê-lo e evitar malfeitos.

Reforma política

Desejo. Durante as manifestações, um dos pedidos era a realização de uma reforma política que permitisse maior participação das pessoas e acompanhamento do eleito.

Resposta. Pressionada, a presidente Dilma Rousseff tentou emplacar um plebiscito sobre o tema. No entanto, a própria base minou a proposta no Congresso, e a ideia não foi para a frente. Desde então, a reforma política é bandeira de todo candidato.

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