Com memória de elefante

Atores revelam como decoram as falas de seus personagens e seus métodos de estudos ao longo dos anos de trabalho

iG Minas Gerais | luana borges |

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Uma das tarefas mais corriqueiras da rotina de um ator é decorar texto. E quanto mais importante é o personagem que ele interpreta, maior é o volume de fala que precisa memorizar. O trabalho se torna ainda mais árduo em novelas, cujo ritmo de gravação é intenso e exige que o elenco chegue sempre pronto no set. Por isso mesmo, é comum que cada intérprete desenvolva seu próprio método de estudo ao longo dos anos de experiência. Marco Pigossi, por exemplo, percebeu que precisava estabelecer uma rotina de leitura quando interpretou seu primeiro protagonista, o Bento de “Sangue Bom”. Quando foi escalado para encarnar o segundo papel principal da carreira, o Rafael de “Boogie Oogie”, ele viu que decorar uma boa quantidade densa de texto ficou mais tranquilo. Depois de uma semana agitada de gravação, Pigossi reserva boa parte do domingo para estudar e memorizar o texto de todos os capítulos do bloco seguinte. “Quando chego em casa, cansado, só releio e relembro o que estudei e decorei. No dia seguinte, estou pronto. Precisei criar um método de estudo para que eu conseguisse manter o ritmo sem perder qualidade”, explica.

Quando se trata de uma série, como “Plano Alto”, da Record, os atores têm a oportunidade de se aprofundar mais no texto, sem a pressão comum às novelas. Isso porque, até o início das gravações, o elenco costuma se reunir algumas vezes para se preparar para cada personagem e se inserir no contexto da história. Gracindo Jr., que vive o governador Guido Flores, confessa ter muita dificuldade para decorar texto. Mas, na série de Marcílio Moraes, ele aproveitou a previsibilidade da produção para estudar por mais tempo. “Tentei me esforçar muito em entender o texto com profundidade, estudar e decorar mesmo. Não é fácil memorizar, não. Para mim, cada vez é mais difícil, mas é a luta do ator”, pondera Gracindo.

Mas tem aqueles que, simplesmente, não decoram. Chegam na hora de gravar, dão uma olhada na cena e fazem com a maior facilidade. É o caso de Antonio Fagundes e Leandro Hassum. Fagundes, que recentemente esteve no elenco de “Meu Pedacinho de Chão”, não sabe nem explicar de onde vem isso que ele chama de dom. “Se eu pudesse, passava para todo mundo, mas é meu mesmo, não adianta ensinar. Chego na hora de gravar, dou uma lida geral na cena e depois foco nas minhas falas. A gente grava e eu esqueço tudo assim que o diretor grita: ‘ok!’”, assume, aos risos. Já Hassum, atualmente no ar como o Barata de “Geração Brasil”, acredita que, para conseguir o frescor que a comédia exige, não precisa ler seu texto em casa. Aliás, é o tipo de coisa que ele admite nunca ter feito quando o assunto é televisão. “Agora, isso exige de mim estar muito à flor da pele para perceber tudo o que está acontecendo ao meu redor”, salienta.

Com o passar dos capítulos de uma novela, decorar acaba se tornando um processo mais fácil. Afinal, o ator já domina o personagem e consegue quase que prever as reações que precisa trabalhar em cada situação que se apresenta. Para Thaís de Campos, a técnica de listar as palavras mais importantes do texto e estabelecer ligações entre elas ajuda. Mas é o exercício que torna o processo orgânico. “Quando a gente entende que não precisa decorar o texto, mas que precisa entendê-lo, a gente decora”, defende a intérprete da Célia de “Boogie Oogie”. Letícia Birkheuer, por sua vez, prefere ler suas falas à exaustão. Mas ela só consegue decorar se repetir o texto em voz alta. “Tenho de ficar andando pela casa e falando. Mas, se eu preciso gravar de novo uma cena grande, às vezes me dá um branco. Eu faço a cena e esqueço”, conta ela, que vive a jornalista Érika em “Império”.

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