STJD acorda para a vida

iG Minas Gerais |

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) parece ter percebido o quanto a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é uma entidade completamente desmoralizada e desorganizada, uma “vergonha”, como bem disse o atacante Emerson, ex-Botafogo. As últimas decisões do STJD denotam que, mesmo descumprindo a lei, o Tribunal tem feito justiça, ainda que tal papel não caia bem, institucionalmente, para um órgão que tem como função precípua fazer com que o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) seja respeitado. Comecemos pela absolvição do próprio Emerson, que detonou a CBF e não foi punido pela declaração, mostrando que o STJD, mesmo que não tenha percebido, corroborou a afirmação do atleta. Muitos podem dizer que a absolvição se deveu ao fato de que todo cidadão brasileiro tem direito de expressão, consagrado pela nossa Constituição, mas o STJD é um órgão desportivo e não o Supremo Tribunal Federal (STF), o guardião da Carta Magna. Por muito menos, vários técnicos, jogadores e dirigentes já foram apenados em casos bem mais brandos e bem menos midiáticos. Outra decisão recente – perda de apenas um mando de campo para Cruzeiro e Atlético por causa das confusões no último clássico, mesmo ambos sendo reincidentes no “delito”, – também ressalta que o STJD entendeu ser injusto punir fortemente os clubes por causa de meia dúzia de idiotas travestidos de torcedores, embora, reitero, alguma punição deve haver, muito menor para os clubes e bem pesada para tais energúmenos. Agora, a “devolução” de 15 pontos ao América, em uma decisão inédita e que afronta inegavelmente o CBJD, exalta de maneira irrefutável, mesmo que involuntária, o quanto o Tribunal compreendeu que a CBF está jogada às traças administrativamente, isso para não entrarmos no campo moral, o que enseja outra coluna, ainda mais com o presidente está à frente da entidade máxima do nosso futebol: homem de confiança dos militares que torturaram e mataram na ditadura, defensor da operação que resultou no assassinato de Vladimir Herzog, protagonista da cena lamentável ao embolsar uma medalha durante premiação de Taça São Paulo e acusado por um vizinho de furtar energia elétrica. Precisa mais? Seria muita injustiça o Coelho cair para a Série C depois de a CBF atestar, documentalmente, que o lateral Eduardo tinha condições de jogo. O problema é que o CBJD é bem claro quanto a esses casos. A perda de pontos deve ser relativa a todos os jogos em que o atleta em questão assinar a súmula (ficar no banco), e não apenas naqueles em que o jogador entrar em campo. Ao considerar que o clube deveria ser punido só pelo duelo em que Eduardo atuou, o STJD jogou o Código no lixo, mas fez justiça, mesmo descumprindo a lei, o que parece um contrasenso, mas de contrasensos a CBF, o próprio STJD e o Brasil estão cheios. Não é preciso ser estudioso do direito para saber que leis estão sempre defasadas em relação às mudanças nos usos e costumes da sociedade, cada vez mais dinâmica e heterogênea. Claro que o descumprimento de leis é sempre um precedente perigoso, mas não dá para negar, nem tanto do ponto de vista legal, mas jornalístico, que as últimas decisões do STJD foram embasadas no bom senso. Só espero que, daqui para frente, os nobres auditores do Tribunal façam um movimento para que o CBJD seja reformulado e que a CBF entre no século XXI para conseguir administrar suas competições.  Em campo. Hoje o Cruzeiro pode colocar nove dedos na taça de campeão brasileiro caso vença o Inter e abra nove pontos para o vice-líder. Se perder, serão “só” três. Oscilando como ainda não havia acontecido no campeonato, é hora de mostrar que o time é mesmo o melhor do Brasil. Já o Atlético, ao contrário do que eu achava, dá mostras de que pode terminar no G-4, apesar do vacilo na Copa do Brasil.

Silêncio. A campanha eleitoral acabou, e não vi nenhum candidato falar do esporte como pilar para um país melhor, como acontece nas sociedades mais desenvolvidas. A educação física segue morta nas escolas públicas. Investir no esporte deveria ser uma política permanente para a promoção de saúde, socialização, competitividade sadia e como perspectiva de vida melhor aos mais aptos para a atividade. 

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