Sombras humanas reveladas com consistência em estreia

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

Autor do livro “A Vida Suspensa”, Fábio Figueiredo Camargo
Arquivo pessoal
Autor do livro “A Vida Suspensa”, Fábio Figueiredo Camargo

A obra de estreia do escritor Fábio Figueiredo Camargo carrega a densidade de quem tem a literatura na alma. Camargo é professor na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Uberlândia e lança em Belo Horizonte hoje, às 11h30, “A Vida Suspensa” (editora Scriptum, 88 páginas), na livraria Scriptum.

“Escrevo desde menino e já fui premiado no colégio. Ao entrar na faculdade parei. Foi depois de uma oficina com [o escritor] João Gilberto Noll, em 2007, que o desejo despertou novamente e o livro começou a ser produzido”, diz Fábio, que lembra que a obra não demorou exatamente sete anos para ser escrita, mas custou esse tempo para que ficasse pronta. “A Vida Suspensa”, aliás, tem como primeiro conto “Produção”, cujo ofício da escrita é tema central. “O texto está morto” é a frase final, revelando a maneira com que o autor finaliza sua obra. “Não é que ela está acabada, mas precisamos, de certa forma ‘abandoná-la’”, explica.

Com influências diretas do hiperrealismo, Fábio tem uma violência recorrente em seus contos, não uma aspereza escancarada, mas certa agressividade humana que só bons escritores conseguem causar através das letras. “Essa violência costuma estar escondida, mas faz parte de nossa existência. Está nas relações culturais e pessoais de poder e no discurso que as circunscreve. Meus textos falam muito disso, da forma de moldar essa agressividade como palavra e expressá-la”, diz o autor.

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