Vote em alguém

iG Minas Gerais |

Eu era muito nova na primeira vez em que vibrei em uma eleição, na época em que Tancredo Neves foi escolhido, ainda que de forma indireta, para presidente da República. Lembro que fiquei muito feliz, especialmente porque aquilo parecia ser o certo... Meus pais estavam muito satisfeitos, foguetes estouravam no céu e provavelmente foi por isso também que fiquei tão triste quando ele acabou não tomando posse. Acho que foi nesse momento que eu percebi que a vida não era bem um filme da Disney e que nem todos os finais são felizes. Anos se passaram e já na época da adolescência eu me vi novamente envolvida em uma disputa eleitoral. Meu tio-avô era vice do Afif Domingos, e acho que aquela foi a primeira vez em que eu verdadeiramente quis que alguém ganhasse nas urnas. Apesar de ainda não votar, fiz muita campanha eleitoral, participei de carreatas, torci mais pelo Afif do que pela seleção! Só que meu candidato acabou não indo para o segundo turno... E então a eleição perdeu a graça para mim. E acho que também a política em geral, porque durante anos eu me orgulhei de dizer que não ligava para isso. Até agora. Porque de repente percebo que várias vezes por dia eu tenho me pegado pensando em como seria bom me mudar para o exterior e também em como esse pensamento é triste. Logo eu que sempre fui tão patriota... Lembro que quando fiz intercâmbio, nos Estados Unidos, eu dormia até abraçada com a bandeira do Brasil, para tentar estar mais perto do meu país, tão caloroso e conhecido. Anos depois, morei na Inglaterra e mais uma vez quase morri de saudade. Só quem já passou um tempo fora sabe a falta que sentimos do solo brasileiro quando estamos longe daqui. Porém, agora, o cenário mudou. A cada passo dado, encontro alguém insatisfeito com o nosso país, reclamando da política, da falta de segurança, saúde, educação. Revistas e jornais estão inundados de notícias sobre corrupção. O medo do futuro nos ronda incessantemente, parece que estamos andando sobre gelo e que de repente tudo pode afundar. No começo do ano estive na Europa. Confesso que fiquei impressionada com a organização, a limpeza, a educação das pessoas. Lá ninguém precisa dar um jeitinho, pois tudo já funciona perfeitamente. Eu me senti livre andando pelas ruas, sem aquele medo constante de ser assaltada que tenho aqui. E eu me peguei desejando ter aquilo também. Fiquei com vontade de morar em um lugar onde as pessoas exigem retorno do imposto que pagam. Uma nação onde os governantes têm que prestar contas dos seus atos. Um país que tem representantes no sentido literal da palavra: indivíduos que representam a população, que lutam pelos direitos dela. Confesso que, na época das manifestações, pensei que esse momento houvesse chegado. Achei que nós, brasileiros, fôssemos exigir tudo que temos direito e não sossegar até conseguir. Mas novamente ganhou o conformismo. A gente sempre vai empurrando com a barriga, deixando pra amanhã, e depois só nos resta reclamar... por causa da nossa própria falta de iniciativa. Uma vez li em algum lugar a seguinte frase: “Se você não fizer nada diferente, continuará obtendo os mesmos resultados”. E isso se aplica a tudo. Não adianta ficar reclamando e não tomar providência nenhuma. Não tem mágica. Se eu quero ganhar mais dinheiro, tenho que trabalhar mais. Se eu quero emagrecer, tenho que fazer ginástica e fechar a boca. Se eu quero viajar de férias, tenho que fazer economia para bancar a viagem. É muito simples. E nesse momento percebo que isso se aplica também ao futuro do nosso país. Tenho visto muita gente falar que não gosta de nenhum dos candidatos e por isso irá anular seu voto. Já ouviu aquele ditado que diz que “quem cala, consente”? Pois é exatamente isso que votar branco faz. Com isso, você está assinando um atestado dizendo que aceita o que vier pra você. Se não escolher aonde quer chegar, a correnteza vai te puxar... Eu prefiro morrer nadando a me entregar. Talvez por isso eu esteja tão envolvida com essa eleição. Minha vontade de viver em um país digno anda muito forte. Por isso vou votar conscientemente e acho que você deveria fazer isso também. Você pode achar que seu voto não faz diferença, mas faz. Tenha atitude! Escolha um candidato que possua pelo menos algum ponto que você concorde (ou que tenha menos pontos que você não concorde) e clique em confirmar. Senão, da próxima vez que reclamar do país, você vai lembrar que foi conivente. Pois anular o voto sempre favorece alguém. Procure saber se a pessoa que vai ser favorecida é a que você quer para presidente pelos próximos quatro anos. Lembre-se: cruzar os braços não é sinal de protesto. Votar é.

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