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iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

Zélia Duncan traz o show “Tudo Esclarecido”, com repertório de Itamar Assumpção ao Sesc Palladium
GAL OPPIDO/DIVULGAÇÃO
Zélia Duncan traz o show “Tudo Esclarecido”, com repertório de Itamar Assumpção ao Sesc Palladium

 

“Entre as coisas perdidas estão os melhores achados”, diz a letra de Itamar Assumpção (1949-2003) na música que dá nome ao disco que Zélia Duncan fez em sua homenagem, “Tudo Esclarecido” (2012). Se no começo de sua carreira Zélia sonhava em ser backing vocal do Beleléu, hoje ela pode dar o sonho por realizado só pela contribuição que dá ao lançar luz sobre a obra do paulistano – que vai bem além do rótulo de “maldito”, conforme defende Zélia com sambas e baladas, provando que o hermetismo, a densidade comumente vinculados ao compositor está nos olhos de quem vê.    Em show que traz ao Sesc Palladium na próxima terça (7), ela apresenta ao público mineiro a sua interpretação da obra do Nego Dito – última parte do desafio que se propôs em comemoração aos seus 30 anos de carreira: em cinco anos, três discos e três projetos distintos. O primeiro: gravar um DVD ao vivo com as músicas do disco “Pelo Sabor do Gesto”, missão que ela cumpriu em 2011, no Teatro Municipal de Niterói, sua cidade natal. O segundo: fazer um espetáculo músico-teatral inspirado na obra de Luiz Tatit, "Tô Tatiando". Foi quando ela gravou Itamar pela primeira vez (“Vou Tirar Você do Dicionário”, em 1996).    Desde então, foram 11 faixas espalhadas pela sua discografia, mas Zélia sempre soube: “Itamar é popular. E é tão poderoso! Qualquer pessoa que pare pra ouvir sai de mãos cheias! Itamar, Tatit, Arrigo Barnabé: é uma geração de muitas surpresas e colaborações fundamentais para a música brasileira”, comenta sobre os vanguardistas.    Mulher de referências múltiplas e que gosta de definir seu habitat como “fora da zona de conforto”, Zélia garimpou seis inéditas do baú de Itamar, convidou Ney Matogrosso e Martinho da Vila para “mostrar que ele é cantável por mestres da MPB” e confessa que a escolha do repertório não foi fácil.    “Foi dureza. Meu produtor, Kassin, me ajudou muito, pois sou muito ligada em tudo. Escolher é abrir mão”, comenta, acrescentando que a gravação no Rio de Janeiro, ao vivo, em cinco dias, ao lado de músicos como Pedro Sá, Marcelo Jeneci, Christiaan Oyens, Thiago Silva, Stephane Sanjuan e, eventualmente, Kassin, foi fundamental para que o disco soasse solar, leve, palatável e esclarecido.   Zélia Duncan  No show “Tudo Esclarecido” Sesc Palladium (r. Rio de Janeiro, 1.046, centro, 3270-8100). Terça (7), às 21h. Ingressos esgotados.  

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