Onda de violência completa uma semana e afeta rotina em SC

Segundo o governo, as ações ocorreram a mando de presos do Rio Grande do Norte, que estão na penitenciária federal de Mossoró

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A onda de ataques criminosos espalhados por 26 cidades de todo o Estado de Santa Catarina completa uma semana nesta sexta-feira (3) e já afeta a rotina dos moradores: o comércio registra queda nas vendas e três universidades públicas suspenderam as aulas à noite.

Balanço da Polícia Militar divulgado nesta sexta (3) mostra que 24 ônibus foram incendiados desde sexta passada (26) e foram registrados outros 33 ataques a agentes da segurança pública ou prédios da polícia.

No total, são 68 ocorrências no período -ante 52 da última quinta-feira (02)-, que incluem ainda prisões de suspeitos. Segundo o governo, as ações ocorreram a mando de presos do Rio Grande do Norte, que estão na penitenciária federal de Mossoró.

A nova onda de violência -comparável às de 2012 e do ano passado- fez com que os ônibus deixassem de circular na na Grande Florianópolis entre 19h e 6h30. Por isso, lojistas de shopping, que atendem até as 22h, têm criado alternativas -como pagar táxi ou alugar van- para levar funcionários para casa.

Com uma quantidade menor de pessoas nas ruas à noite, as vendas no comércio caíram 50%, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas. Em universidades como a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e o IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), as aulas da noite estão suspensas desde terça.

O aluno do curso de sistemas de informação da UFSC Felipe Flores, 28, teria prova na quinta (2) à noite, mas ela foi cancelada. Os amigos da turma trocam mensagens para se informar. "Todo dia a gente se fala para saber se vai ter ônibus, para saber se vai ter aula", conta.

'Ataques a policiais'

O delegado Procópio Silveira Neto, responsável pelas investigações, informou que a objetivo dos criminosos "é matar policiais". Segundo ele, a ordem para os ataques foi dada de dentro da cadeia por integrantes de grupos criminosos, e são uma retaliação "ao trabalho de repressão da polícia".

Silveira Neto não citou nome de facção criminosa. Mas confirmou a existência de um áudio atribuído ao PCG (Primeiro Grupo Catarinense) em que presos pedem ajuda aos "irmãos em liberdade" para "tocar o terror".

Na gravação, os presos reclamam de maus-tratos em duas unidades prisionais do Estado e pedem material de higiene, roupas e comida melhor.O secretário estadual de Justiça e Cidadania, Sady Beck Júnior, disse que toda denúncia de maus-tratos é investigada e punida.

Risco

A tenente-coronel Claudete Lehmkuhl, porta-voz da Polícia Militar em Santa Catarina, disse nesta sexta que a corporação conhece os riscos que corre e que "está preparada para se proteger e proteger os cidadãos".

"Todo policial militar sabe que exerce uma profissão de risco. E todo policial militar está preparado para agir. Nós não vamos ficar sob essa ameaça. Esta situação tem que parar e vai parar", disse. Desde o início dos ataques, dois suspeitos já morreram em confrontos com a polícia, segundo relatório da PM, e, em Criciúma -no sul do Estado-, um agente prisional aposentado também foi assassinado.

Nos ataques de 2013 um suspeito morreu. E nos de 2012 foram três, segundo a PM. Nos dois anos, a corporação registrou 182 ataques em 54 cidades.

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