Turquia promete ajudar cidade curda atacada pelos insurgentes

Turquia resiste a uma intervenção militar temendo que isso aumente a insegurança na fronteira e fortaleça combatentes curdos do PKK, que têm travado uma insurgência de três décadas contra o Estado turco

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A Turquia vai fazer o que puder para evitar que a cidade curda de Kobani, perto da fronteira com a Síria, caia em mãos dos insurgentes Estado islâmico, disse o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu na noite de quinta-feira (2), mas ele não se comprometeu com uma ação militar.

Horas antes de comentários de Davutoglu, o Parlamento turco deu ao governo poderes para ordenar incursões militares transfronteiriças contra o Estado islâmico e para permitir que as forças da coalizão estrangeira liderada pelos EUA possam lançar ataques a partir de território turco.

"Nós não queremos que Kobani caia. Nós vamos fazer tudo o que pudermos para impedir que isso aconteça", disse Davutoglu em uma conversa com jornalistas transmitida pela TV.

No final do programa de duas horas, ele pareceu afastar qualquer sugestão de que isso signifique que a Turquia esteja planejando uma incursão militar, ao dizer que esse tipo de ação poderia arrastar a Turquia para um conflito mais amplo ao longo de seus 900 quilômetros de fronteira.

Mais de 180 mil curdos da Síria fugiram para a Turquia, disse Davutoglu.

A Turquia resiste a uma intervenção militar temendo que isso aumente a insegurança na fronteira e fortaleça combatentes curdos do PKK, que têm travado uma insurgência de três décadas contra o Estado turco.

Kobani ameaçada

Os curdos travavam nesta sexta-feira (3) combates violentos contra o EI perto da cidade síria de Kobani.

Uma espessa fumaça era observada sobre a cidade de maioria curda do norte da Síria, e os disparos de morteiros se sucediam.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou na quinta que 90% dos habitantes abandonaram a cidade e que a região "foi praticamente esvaziada e está sob controle do EI".

Há vários dias os extremistas se aproximaram pelo sul, leste e sudeste de Kobani, defendida com dificuldades por combatentes curdos que são inferiores em número e armamento.

O EI lançou no dia 16 de setembro um ataque contra a cidade, assumindo o controle de quase 70 vilarejos.

A tomada de Kobani permitiria ao EI controlar uma faixa de território ininterrupta na fronteira com a Turquia.

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