Estado vai realocar aparelhos das 19 ambulâncias paradas

Solução veio depois de reportagem de O TEMPO mostrar que veículos estão sem uso há três meses

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Descaso. Ambulâncias seminovas foram enviadas para Minas para atender região chamada de Macro Centro, com 103 municípios
MOISES SILVA / O TEMPO
Descaso. Ambulâncias seminovas foram enviadas para Minas para atender região chamada de Macro Centro, com 103 municípios

Os aparelhos de saúde que equipam as 19 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) paradas no pátio da Prefeitura de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, serão remanejados para ambulâncias do serviço no Sul de Minas. De acordo com o secretário de Estado de Saúde, José Geraldo Oliveira Prado, os veículos vão começar a rodar ainda em outubro, e o pedido foi feito pelo Ministério da Saúde, ontem, mesmo dia em que a reportagem de O TEMPO mostrou que os veículos estão parados, sem utilização há três meses, desde o fim da Copa do Mundo. As 19 ambulâncias chegaram para reforçar o Samu de Belo Horizonte durante o Mundial e depois seriam destinadas para a implantação da Rede de Urgência e Emergência Macro Centro, atendendo 103 municípios. Porém, a estrutura para receber os veículos só deve ficar pronta em dezembro, e até lá os veículos vão continuar parados. Enquanto isso, desfibriladores serão transferidos para as ambulâncias da rede no Sul de Minas. Segundo Prado, a ideia inicial era que a rede Macro Centro já estivesse pronta durante a Copa, com 98 ambulâncias fazendo o serviço – elas dariam conta da demanda gerada pelo evento. Porém, como houve atraso nessa rede, a solução foi reforçar o serviço do Samu de Belo Horizonte com os 19 veículos que chegaram. Eles ficaram responsáveis por fazer atendimento nas cidades afetadas pelo Mundial, como Confins, por causa do aeroporto, e Vespasiano e Sete Lagoas, que receberam seleções. Prado alega que as 19 ambulâncias foram usadas pelo Samu da capital, mas as equipes de médicos, enfermeiros e motoristas dos veículos foram contratadas apenas para o período da competição. O secretário admitiu que houve atraso na criação da estrutura e justificou alegando dificuldade para firmar acordo com os municípios envolvidos. Segundo ele, após a Copa não poderia haver um pedido de cessão das ambulâncias, já que está em vigor o período eleitoral, em que é vedada qualquer doação ou empréstimo a municípios. “Já sabíamos que a rede não ficaria pronta para o Mundial, mas não realocamos essas ambulâncias antes porque não houve um pedido dos municípios que já contam com o Samu para receber esses veículos como reforço”. O Ministério da Saúde afirmou que está em contato com os gestores do Estado para que agilizem a implantação da estrutura e a consequente entrada em funcionamento das ambulâncias.

Minientrevista com José Geraldo Prado - Secretário de Estado de Saúde

Por que a rede não estava pronta durante a Copa do Mundo? Nós estamos lidando com entes federados autônomos, tem que se construir acordos. Consensos que não são rápidos. Percebemos que esse acordo com os municípios não seria viável até o início da Copa do Mundo. A solução foi reforçar o Samu de Belo Horizonte com as 19 ambulâncias para atender o Mundial, e funcionou. Fomos o único Estado do Brasil que seguiu todos os protocolos da Fifa. Havia uma outra solução possível para não deixar as ambulâncias paradas após a Copa do Mundo? Não são só as ambulâncias. As equipes que atuaram nos veículos foram contratadas apenas para o período da Copa. E esse equipamento veio com um fim definido, que é o Samu regionalizado da área Central. Eu não posso desviá-lo de sua função e enviá-lo para outro município sem autorização do Ministério da Saúde. Além disso, a Copa terminou e já estava em vigor o período eleitoral, quando é vetado qualquer doação ou empréstimo de equipamentos. Mas secretário, o período eleitoral já era previsto há anos e se o senhor sabia que a rede não iria ficar pronta, não teria como antecipar esse planejamento e já ter previsto essa doação antes do período eleitoral? Não há nenhuma ação de desencontro ou falta de planejamento nesse caso. Os municípios que já contam com o Samu, como Belo Horizonte e Betim, que poderiam receber essas ambulâncias, já têm os seus veículos compatíveis com as equipes que contam para operar o sistema. E não houve demanda por parte dessas cidades. Nenhuma prefeitura nos procurou para pedir o reforço desses veículos. Por isso guardamos esses veículos. Com a eleição terminada, nós teremos aí apenas mais um mês para entregar essas ambulâncias.

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