Concessionária pode concluir obras inacabadas de Confins

Faltam 45% das intervenções e, temendo prejuízos com o atraso, BH Airport busca soluções

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Paulo Rangel quer esgotar primeiro todas as possibilidades
JOAO GODINHO / O TEMPO
Paulo Rangel quer esgotar primeiro todas as possibilidades

Em setembro de 2011, o consórcio Marquise/Normatel começou a reformar o Terminal 1 de Confins, com a promessa de entregar em dezembro de 2013. Projetos atrasaram, faltou dinheiro e, no fim e agosto, a empresa anunciou que não renovaria o contrato e deixaria a obra pela metade. Agora, essa herança pode cair no colo do novo administrador de Confins, que assumiu a gestão em agosto.

Essa não é a primeira opção, mas é uma hipótese que já vem sendo considerada pelo concessionário BH Airport. A verdade é que, para dar sequência às intervenções previstas no contrato de concessão, o novo gestor precisa desenrolar essas pendências. Até 30 de abril de 2016, ele precisa entregar um segundo Terminal, e as obras inacabadas podem ameaçar o cronograma.

“Não temos o interesse em assumir essa obra, mas temos o interesse em resolver o problema. Na verdade, o interesse é público e, se depois de esgotadas todas as possibilidades da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que é a responsável pela reforma, aí sim podemos iniciar uma conversa para conciliar, da melhor forma, com nossas obras futuras”, explica o diretor-presidente da BH Airport, Paulo Rangel.

No dia 28 de agosto, a Marquise anunciou sua desistência. No dia 22 de setembro, a Infraero comunicou à construtora o interesse em fazer a rescisão. Assim que a desistência for oficializada, a estatal seguirá os trâmites da Lei 8.666, que rege as licitações, e convocará a segunda colocada.

Neste caso, vai ter que convocar a terceira, porque a segunda – consórcio SHFC Confins – tem impedimentos jurídicos. A Consbem Construções e Comércio, que faz parte do grupo, está impedida de participar de licitações da Infraero, porque fez, no aeroporto de Fortaleza, a mesma coisa que a Marquise fez em Confins: desistiu de finalizar a obra.

A terceira colocada é a EIT Construções. Segundo funcionários da empresa, ainda não houve convocação e, se houver, o caso deverá ser cuidadosamente analisado. Na época da licitação, ela ofereceu R$ 237,12 milhões. A Marquise ganhou com R$ 224,9 milhões, mas, com aditivos, subiu para R$ 241,7 milhões.

Saldo. Faltam 45% da obras, segundo a Infraero. Seja outra empresa, seja a BH Airport, quem assumir terá pela frente um saldo de R$ 108,7 milhões e a preocupação de enquadrar neste orçamento, preços de mercado que mudaram bastante desde 2011, quando as cotações foram feitas.

Cronologia de uma obra inacabada

- Setembro de 2011

Marquise/Normatel inicia as obras de reforma e ampliação do Terminal 1 de Confins. Ela venceu a licitação com uma proposta de R$ 223,9 milhões.

- Julho 2012

Infraero troca a empresa projetista, por atraso na entrega dos projetos. Já nessa época, a Marquise solicitava mais recursos

- Dezembro de 2013

A reforma deveria estar totalmente pronta. Mas só 41% estava pronto.

-  Abril de 2014

Nova data prevista para a entrega, mas também não ficou pronto

- Agosto de 2014

No dia 12, a BH Airport assume a concessão. No dia 28, a Marquise/Normatel anuncia que não renovará o contrato e deixará a obra pela metade

Sobre os custos Subiram R$ 17,75 milhões, atingindo R$ 241,7 milhões. Segundo a Infraero, faltam 45%

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