Jornada musical pela floresta amazônica

Vencedor do Prêmio APCA 2013, na categoria melhor musical infantil, espetáculo chega pela primeira vez a BH

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Sozinha? Andréa é a única atriz em cena, mas está acompanhada por seis músicos que ajudam contar a história
JOÃO CALDAS / DIVULGAÇÃO
Sozinha? Andréa é a única atriz em cena, mas está acompanhada por seis músicos que ajudam contar a história

Um universo mágico, inventivo, colorido e permeado por composições de autores clássicos da música brasileira. Eis o mote do musical “Operilda na Orquestra Amazônica”, que faz única apresentação amanhã, no Cine Theatro Brasil, dentro da Mostra Cine Brasil Teatro e Música.

“Essa personagem foi criado em ‘Aprendiz de Maestro’, série de concertos que eu fazia com o maestro José Maurício Galindo, que tinha um perfil didático para mostrar e ensinar o que era uma orquestra. Eram concertos de música, mas era sempre Beethoven, Bach, Stravinsky e raramente autores brasileiros. Então, eu resolvi levar essa personagem por uma viagem pela música brasileira”, comenta Andréa Bassit, única atriz em cena e autora do texto.

Operilda é uma bruxinha engraçada e apaixonada pelo Brasil que tem a tarefa de contar a história da música erudita brasileira para as crianças, em apenas uma hora. Caso consiga cumprir o desafio, ela ganhará de presente uma orquestra completa. Para isso, a protagonista recebe de sua tia, Opereta, uma camerata de seis músicos eruditos, e Livrildo, um livro mágico que vai ajudá-la. Ao longo do espetáculo, com músicas interpretadas ao vivo, Operilda passeará por diferentes ritmos musicais, estilos e compositores para conseguir cumprir a sua tarefa. “No fim do espetáculo, a orquestra é formada pelos próprios bichos da floresta”, destaca Andréa.

A atriz e autora explica por que a Amazônia foi escolhida como cenário. “Primeiro, há uma brincadeira entre Orquestra Sinfônica e Floresta Amazônica, que têm sons muito parecidos”, comenta. “Também a floresta foi inspiração para vários músicos, como Villa-Lobos. Além do mais, a floresta é um lugar mágico, capaz de aguçar a imaginação das crianças”, completa.

Em cena, Andréa é acompanhada por um sexteto de músicos. Juntos, eles tocam e cantam músicas de Alberto Nepomuceno, Padre José Maurício, Carlos Gomes, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Xisto Bahia, Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Guerra-Peixe e Tom Jobim. Como costuma acontecer com bons espetáculos infantis, ele agrada a crianças e adultos. “É gratificante porque alguns pais, depois de assistirem a ‘Operilda’ pela primeira vez, trazem os seus próprios pais para ver também”, comenta.

Sobre a “eterna” fronteira entre arte erudita e popular, a experiência de “Operilda” comprova que essa linha pode ser cada vez mais tênue. “A música erudita não espanta as crianças. Pelo contrário, durante o espetáculo, elas vão para a beirada do palco e começam a dançar. Fora isso, vale lembrar que a música erudita brasileira se inspira em batuques de tambores negros ou no folclore. Essa relação com a cultura popular acontece em todo o mundo”, ressalta.

Para refletir. Se por um lado cresce a procura e a oferta por espetáculos infantis enlatados que se baseiam em personagens de desenhos animados famosos – e não pagam os direitos aos autores, como Galinha Pintadinha, Peppa Pig, dentre outros –, por outro aparecem produções que buscam estimular o que a criança tem de mais precioso: sua imaginação.

“Eu acho que isso não se restringe apenas ao teatro infantil. Há uma leva de espetáculos, em geral, que faz o espectador refletir pouco. Qual é a estética que essas peças propõem? A criança vai ao teatro apenas para ficar encantada. A tecnologia fez com que as crianças perdessem um pouco dessa curiosidade, dessa ludicidade do jogo, da brincadeira. Nesse sentido, o nosso espetáculo é mais artesanal, conta com menos recursos”, conclui Andréa.

Serviço. “Operilda na Orquestra Amazônica”. Amanhã, às 17h, no Cine Theatro Brasil (rua dos Carijós, 258, centro). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada)

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