Bardo do Bar: da Tetê

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Quando cheguei a conversa já estava em curso. “Acho que fiz tudo certo, então agora é só esperar e torcer. Na última reunião que fizemos lá no comitê tinha pelo menos uns 60 apoiadores, gente comprometida mesmo com a campanha, que vai para a rua empenhada em conseguir mais eleitores”, dizia o homem com aparência de menestrel, chapéu branco cobrindo os cabelos que escorriam até os ombros e uma camisa meio bata que lhe conferia um ar jovial, a despeito das rugas que denunciavam já ter passado dos 50 anos. Do lado de trás do balcão, sentada em seu banquinho e se abanando com o boné, Tetê se dividia entre tentar prestar atenção ao que o homem dizia e acompanhar o noticiário sobre algum crime escabroso no vespertino policialesco em que a TV estava sintonizada. “Colamos muitos cartazes, praticamente todos os muros lá de Ribeirão têm um, e também distribuímos muitos santinhos, milhares deles, então acredito que meu nome esteja na boca do povo. Tenho alguns aqui comigo, olha só como ficou bonito”, disse, exibindo o pequeno papel com sua imagem e alguns dizeres que não consegui ler para Tetê, que não se levantou para ver, apenas esticou o pescoço e balançou a cabeça concordando. “Também apareci na TV, durante o programa eleitoral”, continuou o homem, “foi pouca coisa, duas ou três inserções pequenas, porque, você sabe, a coligação é grande, são muitos candidatos, mas foi legal assim mesmo. Fiquei bem na tela, só a testa é que achei que ficou um pouco brilhante demais. O pessoal não ajeitou a luz do estúdio direito. Mas de qualquer forma, repercutiu. Muita gente com quem conversei disse ter visto”, emendou, antes de tirar mais uns tantos santinhos do bolso deixá-los sobre o balcão. Tetê, que já não disfarçava o interesse maior na televisão do que na conversa fez um comentário lacônico e nonsense, quase que para afirmar que sim, ela estava ali, toda ouvidos. “Pois é, a gente é o que a gente é, porque, imagina se a gente tivesse que ser outra coisa diferente do que a gente é, ia dar o maior trabalho”, disse. “Então quer dizer que posso contar com o voto da senhora? Sei que há muitos problemas para serem resolvidos, o meu genro, por exemplo, está desempregado, mas, se eleito, estou com plena disposição de arregaçar as mangas e resolver tudo”.

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