Libéria vai processar paciente que levou ebola para os EUA

Cem pessoas podem ter tido contato com o homem antes de ele ser internado

iG Minas Gerais |

Toque. Thomas Eric Duncan teria tocado o corpo de uma mulher grávida que depois morreu de ebola
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Toque. Thomas Eric Duncan teria tocado o corpo de uma mulher grávida que depois morreu de ebola

Monróvia, Libéria. Thomas Eric Duncan, o liberiano infectado com ebola que levou a doença aos Estados Unidos, será processado quando retornar ao país de origem, por mentir no questionário de monitoramento no aeroporto, informaram autoridades da Libéria ontem.

“Ele será processado” quando retornar à Libéria, afirmou Binyah Kesselly, presidente do conselho de diretores da Autoridade do Aeroporto da Libéria. Segundo ele, pessoas como Duncan e Patrick Sawyer, um liberiano com ebola que viajou para a Nigéria e infectou pessoas, trouxeram um “estigma” para liberianos que moram fora do país.

Com a epidemia de ebola que atinge a África Ocidental, passageiros que deixam a Libéria estão sendo examinados para detectar se têm febre e questionados se tiveram contato com qualquer pessoa infectada.

No formulário obtido pela agência de notícias Associated Press e confirmado por um oficial do governo, Duncan respondeu “não” para perguntas sobre ter cuidado de algum paciente de ebola ou tocado o corpo de alguém que morreu em uma área infectada pelo vírus. Dias antes de deixar a Libéria, Duncan ajudou a carregar para um táxi uma mulher grávida que depois morreu de ebola, de acordo com vizinhos. No momento acreditava-se que sua doença era relacionada à gravidez. Não está claro se Duncan sabia do diagnóstico da mulher quando viajou para os EUA.

De acordo com autoridades, ele não apresentou sinais da doença quando embarcou no avião e, portanto, não estava no estágio contagioso. Duncan viajou para os EUA em 19 de setembro para visitar a família e ficou doente poucos dias depois de chegar. Ele está atualmente em uma área isolada em um hospital em Dallas, no Texas. Seu estado de saúde foi considerado grave, mas estável.

Quarentena. Autoridades de saúde do Estado do Texas ordenaram que quatro familiares de Duncan permaneçam em casa. Policiais foram colocados do lado de fora da residência para assegurar que a ordem será cumprida.

Funcionários federais e estaduais da área de saúde entram em contato com cerca de cem pessoas com o objetivo de saber se elas tiveram contato com o paciente internado em Dallas.

Mas o diretor do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), Tom Frieden, afirmou ontem que até agora foram identificadas apenas algumas pessoas que podem ter sido expostas ao paciente e que serão monitoradas.

O comissário de saúde do Estado do Texas, David Lakey, disse que a medida incomum adotada em relação aos quatro parentes foi definida para que as autoridades possam monitorá-los de maneira correta.

Alerta e suspensão de negócios

Contato. Após ser informada de que Thomas Eric Duncan viajou em dois voos da United Airlines no dia 20 de setembro, a companhia aérea informou que já começou a contatar imediatamente “diversas centenas” de outros passageiros nos dois voos.

Adiamento. O surto de Ebola na África Ocidental levou a Exxon Mobil a postergar parte dos planos de perfuração na região. A empresa proibiu que alguns funcionários viajem aos países atingidos pelo ebola e congelou algumas atividades.

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