PSDB processa PT por cartas

Tucanos acusam empresa de não ter entregue cerca de 16% dos seus panfletos por influência do PT

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

Coletiva. Coordenador jurídico da campanha de Aécio disse que mineiros não receberam correspondências
Bruno Magalhaes / Divulgacao
Coletiva. Coordenador jurídico da campanha de Aécio disse que mineiros não receberam correspondências

O PSDB entrou ontem com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a presidente Dilma Rousseff (PT) por suposta utilização dos Correios para beneficiar a candidatura da petista e prejudicar a campanha do presidenciável Aécio Neves (PSDB). O mesmo foi feito em nível estadual contra o postulante petista ao governo de Minas, Fernando Pimentel, junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Procuradoria Regional Eleitoral. A direção dos Correios nega qualquer tipo de beneficiamento de uma candidatura em detrimento de outra.

Em coletiva no comitê do senador na capital mineira, o coordenador jurídico da campanha de Aécio, deputado federal Carlos Sampaio, informou que pelo menos 600 eleitores de Minas Gerais afirmaram não ter recebido a correspondência do PSDB em casa. A legenda destaca que dois lotes de 5,6 milhões de panfletos deveriam ter sido distribuídos em todos os domicílios do Estado, e que 16%, ou seja aproximadamente 900 mil unidades, não chegaram ao seu destino final.

Um dos principais argumentos de Sampaio é o vídeo divulgado pelo jornal “O Estado de S. Paulo” em que o deputado estadual Durval Ângelo (PT) afirma que “tem dedo forte dos petistas dos Correios” e que, por causa disso, Dilma e Pimentel registram bom desempenho no Estado. “Ele (Durval Ângelo) reconhece que utilizou uma empresa pública para beneficiar a campanha da presidente Dilma. É uma conduta vedada”, justificou Sampaio para protocolar a Ação de Investigação Eleitoral (AIJE). Uma das consequências possíveis é a cassação do registro de candidatura de Dilma.

O deputado apresentou uma troca de e-mails com a direção dos Correios em que o partido questiona a falta de entrega de parte do material. Na resposta, a empresa reconhece que entregou 84% do primeiro lote, e que o segundo lote havia sito todo entregue. A justificativa para os 16% dos panfletos sem destino foi detalhada no e-mail: dificuldades de entrega, como endereço não encontrado. Sampaio questiona uma suposta contradição na resposta. No fim da mensagem, a empresa afirma que iria “redistribuir” o material. “Redistribuir o quê, se nós não reenviamos nada?”, questionou.

Resposta. O presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, rechaçou as acusações de que a estatal tenha cometido crime eleitoral ao distribuir material de campanha da presidente Dilma. Oliveira afirmou que a empresa, há 20 anos, distribui material de campanha de qualquer candidato ou partido pela modalidade de mala direta.

Pinheiro convocou uma coletiva para rebater as acusações do PSDB. “É uma entrevista coletiva convocada para elucidar um produto concorrencial dos correios, previsto em legislação. É em defesa da imagem da instituição, que está sendo atacada por algumas pessoas durante o período eleitoral”, disse. (Com agências)

Por extensão

Minas. O PSDB informou ainda que a chapa petista ao governo de Minas também será alvo de ação por “prática de conduta vedada”. “É o caso, por exemplo, de utilização de bens móveis, imóveis, servidores, de empresas públicas, como é o caso dos Correios”, explicou o advogado da coligação tucana, Rodolfo Viana. O diretor regional dos Correios e também o presidente nacional serão alvo de ação.

Gastos. Segundo prestação parcial de contas de campanha do PSDB ao TSE, a sigla já gastou 933 mil com a postagem de material de campanha em Minas Gerais e em São Paulo.

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