Reservatórios começam a ‘acender’ sinais de alerta

Com estiagem, vazão das represas diminui, e bairros já enfrentam racionamento; prefeitura não descarta hipótese de o município ter que começar a racionar água

iG Minas Gerais | Dayse Resende |


Rio Manso.
 Segundo moradores, nesse reservatório, o nível de água também já baixou cerca de 8 metros
Rio Manso. Segundo moradores, nesse reservatório, o nível de água também já baixou cerca de 8 metros

 

A seca prolongada que atinge boa parte do país desde o fim de 2013 já começa a preocupar a população betinense, além de especialistas em meio ambiente. Na última semana, a reportagem de O Tempo Betim visitou alguns dos principais reservatórios responsáveis pelo abastecimento de água do município e constatou que eles já começam a acender sinais de alerta.   O flagrante de que os níveis de água nas represas estão cada vez mais baixos é assustador. A própria prefeitura assumiu, na quarta-feira (1°), que os bairros Horto e Cruzeiro do Sul já enfrentam racionamento e que, em função disso, o Executivo participa, periodicamente, de reuniões com representantes da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O governo também não descarta a hipótese de o município enfrentar um racionamento. “Isso pode ocorrer em decorrência da longa estiagem. Os reservatórios Rio Manso, Serra Azul e Várzea das Flores – responsáveis pelo abastecimento da cidade – estão abaixo da capacidade de armazenamento”, destacou a prefeitura, por meio de sua assessoria de imprensa.    Por outro lado, a Copasa, que tem a concessão dos serviços de abastecimento de aproximadamente 93% das residências de Betim até 2042, não revelou os atuais níveis de água dos reservatórios. Por meio de sua assessoria de imprensa, o órgão informou apenas que “os sistemas estão com níveis de oscilação previstos para o período de estiagem” e que “o atendimento à população permanece normalizado”.    Ainda segundo a Copasa, essas três represas são responsáveis por abastecer, além de Betim, as cidades de Contagem, Juatuba, Mário Campos, Mateus Leme, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, São Joaquim de Bicas, Sarzedo e parte dos municípios de Belo Horizonte, Esmeraldas, Ibirité, Santa Luzia, Lagoa Santa, São José da Lapa, Vespasiano e Igarapé.   Vale ressaltar que, em virtude da escassez de água, esta última cidade da região metropolitana já decretou, recentemente, estado de emergência. A Prefeitura de Igarapé criou o Comitê Municipal de Enfrentamento à Crise Hídrica com o objetivo se discutir alternativas para o enfrentamento à crise hídrica na cidade.   Uso desregrado Moradores do entorno da Várzea das Flores e do rio Manso acreditam que o nível d’água em cada um desses reservatórios tenha baixado cerca de oito metros ao longo dos últimos meses. No sistema Serra Azul, que abrange os municípios de Mateus Leme, Juatuba, Igarapé e Itaúna, a situação não é diferente. O longo período de estiagem reduziu, significativamente, a sua vazão.   Para o secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (Cipabar), Thiago de Castro Alves, a situação vem se replicando em todo o país, devido à falta de preservação das nascentes e da mata ciliar, além, claro, da seca prolongada. “A natureza tem cobrado pelo uso indiscriminado de seus recursos. A cada cem litros de água utilizados pela população, 47% é desperdiçado. Infelizmente, ainda há uma grande falta de conscientização. Ao longo do rio Paraopeba, já falta água em diversos pontos”, lamenta.   A Copasa ressalta que conta com a colaboração dos moradores para enfrentar esse período. “Atitudes simples fazem toda a diferença, como, por exemplo, lavar o carro com balde de água no lugar da mangueira; deixar a torneira fechada enquanto se escovam os dentes; tomar banhos rápidos, suficientes para a higiene corporal; aguar plantas com regador; e não lavar o passeio com água tratada”. 

 

Chuva intensa, só em dezembro

 

Apesar de a chuva ter ameaçado cair sobre a cidade na última semana, aliviando a seca e diminuindo os níveis da temperatura, o meteorologista Ruibran dos Reis informou que, chuvas torrenciais, só mesmo em dezembro.    De acordo com a meteorologia, a primavera será de muito calor. Chuvas isoladas devem chegar à região metropolitana de Belo Horizonte somente a partir de meados de outubro e novembro. “Já aquelas chuvas capazes de recuperar as nascentes dos rios, só mesmo em dezembro”, disse Ruibran.   Para a estação, há também possibilidade de chuva de granizo e ventos fortes para as regiões Oeste e Sul de Minas, Campo das Vertentes e Zona da Mata. “Na região metropolitana da capital, a probabilidade é bem menor, mas pode ocorrer”.   O aquecimento global e a influência do fenômeno El Ninõ são os responsáveis pela elevação da temperatura, e ainda é possível uma quebra de recorde nos próximos dias. “Em 2012, Minas registrou 37,1° C no mês de outubro, a maior temperatura no Estado em cem anos. E neste ano deve ser mais quente”, adverte a meteorologia.   Racionamento Estimativas da consultoria especializada PSR sugerem que, se o volume de chuvas entre novembro e abril ficar em 80% da Média de Longo Termo (MLT), o risco de racionamento no país atingirá 35%. Atualmente, esse risco está em torno de 12%.   Incêndios A estiagem, o tempo seco e o vento aumentam o número de queimadas em Minas Gerais. Segundo dados do Corpo de Bombeiros, nos meses de julho e agosto deste ano, foram registrados 2.595 incêndios em áreas de vegetação e 983 em lotes vagos.   Até o dia 21 de setembro, o número de focos de calor em Minas Gerais, segundo dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad), chegou a 3.210, valor 21 vezes maior que o registrado em janeiro, que foi de 148.

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