Jovem é indiciada por incêndio que matou cinco crianças em Barroso

Amanda Francisca Guimarães, que é mãe de das duas vítimas e tia das outras três, foi indiciada pelo crime de incêndio culposo com qualificação por morte; inquérito já foi enviado à Justiça

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

BRUNO FERREIRA/BARROSO EM DIA/DIVULGAÇÃO
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O inquérito aberto para investigar o incêndio que matou cinco crianças, em Barroso, na região Central do Estado, em abril deste ano, concluiu que o fogo foi iniciado por uma das vítimas que sabia manusear fósforos e acendeu um deles quando acordou para brincar.

De acordo com o delegado Alexsander Soares Diniz, responsável pelo caso, as investigações apontaram que uma a caixa de fósforos foi deixada na sala, ao alcance das crianças, e, por este motivo, Amanda Francisca Guimarães, de 19 anos, que estava responsável por elas, foi considerada negligente.

A jovem, que é mãe de das duas vítimas e tia das outras três, foi indiciada pelo crime de incêndio culposo com qualificação por morte, que, segundo o delegado, tem pena igual ao crime de homicídio culposo, acrescentada de um terço. As investigações duraram cinco meses.

De acordo com o Alexsander Diniz, as cinco crianças estavam sob os cuidados de Amanda, porque a irmã dela, que estava grávida, tinha sido levada para a maternidade, em São João Del Rei, para dar à luz. As investigações apontaram que, no dia que antecedeu a tragédia, a jovem e uma adolescente chegaram ao imóvel por volta das 4h e foram direto dormir, deixando os fósforos ao alcance dos menores, que sabiam manuseá-los.

"No dia anterior ao incêndio, uma das meninas pegou uma caixa de fósforos e colocou fogo em um arranjo de flores artificiais”, disse o delegado. Segundo ele, a perícia encontrou palitos de fósforo no cabelo de uma das vítimas e uma caixa vazia em cima de uma das camas, além de pontas de cigarro e um cinzeiro.

Também, segundo o delegado, havia vários novelos de retalhos de tecido utilizados para fazer tapetes na sala da casa, que a perícia concluiu que eram altamente inflamável. "Em 3 minutos, 90% desse material já estava queimado", disse Diniz. O tecido era vendido pela família para complementar a renda.

Segundo Alexsander Diniz, o inquérito já foi enviado à Promotoria de Justiça do Ministério Público de Barroso e a decisão sobre a denúncia da indiciada deve sair em até 15 dias.

Relembre o caso

As crianças morreram em um incêndio que destruiu parte de uma residência no dia 26 de abril, no município de Barroso. Todas as vítimas tinham idade entre 1 e 5 anos e eram da mesma família. Três crianças morreram na hora, uma faleceu no hospital da cidade e a quinta, de 5 anos, foi transferida para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, onde faleceu em seguida.

Os vizinhos relataram à polícia que ouviram uma explosão por volta das 9h40 e, em seguida, viram as chamas na casa da família. Amanda Francisca Guimarãaes estava no quarto da frente da casa quando o fogo começou, e as crianças estavam no quarto dos fundos. Ela disse ao jornal "Barroso em Dia" que viu as chamas, mas não conseguiu retirar os filhos e sobrinhos do local.

Vítimas

Ketelin - 3 anos, filha de Amanda David - 1 ano e 6 meses, filho de Amanda Beatriz Vitória Guimarães - 2 anos, filha de Greice Kelly (irmã de Amanda) Gustavo Henrique Celestino Guimarães - 1 anos e 7 meses, filho de Greice Kelly Rafaela Camila Martins - 5 anos, filha de Greice Kelly

 

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